Ontem fui ao casamento de dois amigos.
Foi talvez a cerimónia de casamento mais bonita a que alguma vez assisti.
Talvez pelas pessoas envolvidas, talvez pelo sítio, talvez pela leveza e ao mesmo tempo a seriedade com que aconteceu.
Foi um dia magnífico, em que se podia sentir a magia, o amor e a cumplicidade no ar.
Na minha vida, não fui a muitos casamentos, talvez a 5 ou 6. Um deles foi o da minha mãe, organizado quase inteiramente por mim — e nesse, em específico, houve um momento em que não me contive e acabei mesmo a derreter-me em lágrimas.
Em todos eles, nuns mais do que noutros, senti sempre sensações positivas.
Amigos e familiares todos reunidos em prol de duas pessoas que decidiram celebrar o amor!
Como não gostar?
E, no entanto, pessoalmente, nunca quis casar. Nunca fez sentido para mim.
E foi exatamente esse paradoxo, quase um contrassenso, que me fez escrever este texto.
Embora me veja a passar o resto da minha vida ao lado de uma pessoa e a constituir família, sempre vi o casamento, e ainda o vejo, como uma contratualização do amor.
À exceção das vantagens fiscais, das heranças e da festa, não vejo razões plausíveis para casar.
Num mundo onde a confiança não abunda, é muitas vezes imprescindível contratualizar acordos para garantir que uma das partes não falta às suas responsabilidades.
No entanto, quando se trata de amor, não consigo assimilar a ideia de assinar um contrato a comprometer-me a ficar com alguém para o resto da vida, nos bons e nos maus momentos.
Não porque considere ser mais fácil sair de uma relação que não está contratualizada quando as coisas dão para o torto, obviamente.
Mas, sim, porque acho que não deve ser necessário um contrato que nos obrigue a aguentar tempos mais difíceis.
Num relacionamento, onde deve haver compromisso e paixão, ninguém deveria precisar de um acordo escrito a enunciar as suas obrigações.
Exatamente porque não devem ser obrigações, deve, isso sim, ser algo que fazemos por sentido de compromisso e, acima de tudo, por amor.
Existe ainda o argumento de que o casamento serve para fazer a promessa em frente a testemunhas — familiares e amigos.
É talvez o argumento mais forte a favor, e, ainda assim, pelas mesmas razões que já enunciei, não me parece que tal devesse ser necessário: a promessa que conta é a que se cumpre todos os dias, não a que se anuncia num só.
Ainda assim, sei que a maior parte das pessoas — como foi o caso da Joana e do Francisco, os meus amigos que casaram —, não casam a pensar no contrato ou na promessa pública.
Casam porque querem celebrar o amor que sentem um pelo outro. E querem fazê-lo junto de quem mais gostam. O que é algo absolutamente compreensível e belo.
Além disso, e emoções à parte, visto que o casamento é algo financeiramente dispendioso, faria mais sentido para mim gastar o dinheiro numa grande viagem ao lado da pessoa amada.
Por estas razões, e embora, como disse, os casamentos sejam momentos que associe a uma grande felicidade e beleza intrínseca, continuo convicto de que não é algo que queira fazer, embora não diga que nunca irá acontecer.
Confesso que, depois de ontem, e de me lembrar das lágrimas no casamento da minha mãe, fico com menos certezas do que aquelas com que entrei naquela cerimónia.
É sempre possível mudar de opinião. Aliás, só as pessoas menos inteligentes não o fazem. Vamos ver o que a vida me reserva 😉
Tendo o texto de hoje sido mais uma reflexão do que uma aprendizagem, gostava de genuinamente que me respondessem com a vossa opinião.
Por hoje é tudo.
Até quarta,
Francisco

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