172# Faz sentido casar?

Ontem fui ao casamento de dois amigos.

Foi talvez a cerimónia de casamento mais bonita a que alguma vez assisti.

Talvez pelas pessoas envolvidas, talvez pelo sítio, talvez pela leveza e ao mesmo tempo a seriedade com que aconteceu.

Foi um dia magnífico, em que se podia sentir a magia, o amor e a cumplicidade no ar.

Na minha vida, não fui a muitos casamentos, talvez a 5 ou 6. Um deles foi o da minha mãe, organizado quase inteiramente por mim —  e nesse, em específico, houve um momento em que não me contive e acabei mesmo a derreter-me em lágrimas.

Em todos eles, nuns mais do que noutros, senti sempre sensações positivas.

Amigos e familiares todos reunidos em prol de duas pessoas que decidiram celebrar o amor!

Como não gostar?

E, no entanto, pessoalmente, nunca quis casar. Nunca fez sentido para mim.

E foi exatamente esse paradoxo, quase um contrassenso, que me fez escrever este texto. 

Embora me veja a passar o resto da minha vida ao lado de uma pessoa e a constituir família, sempre vi o casamento, e ainda o vejo, como uma contratualização do amor.

À exceção das vantagens fiscais, das heranças e da festa, não vejo razões plausíveis para casar.

Num mundo onde a confiança não abunda, é muitas vezes imprescindível contratualizar acordos para garantir que uma das partes não falta às suas responsabilidades.

No entanto, quando se trata de amor, não consigo assimilar a ideia de assinar um contrato a comprometer-me a ficar com alguém para o resto da vida, nos bons e nos maus momentos.

Não porque considere ser mais fácil sair de uma relação que não está contratualizada quando as coisas dão para o torto, obviamente.

Mas, sim, porque acho que não deve ser necessário um contrato que nos obrigue a aguentar tempos mais difíceis.

Num relacionamento, onde deve haver compromisso e paixão, ninguém deveria precisar de um acordo escrito a enunciar as suas obrigações.

Exatamente porque não devem ser obrigações, deve, isso sim, ser algo que fazemos por sentido de compromisso e, acima de tudo, por amor.

Existe ainda o argumento de que o casamento serve para fazer a promessa em frente a testemunhas — familiares e amigos. 

É talvez o argumento mais forte a favor, e, ainda assim, pelas mesmas razões que já enunciei, não me parece que tal devesse ser necessário: a promessa que conta é a que se cumpre todos os dias, não a que se anuncia num só.

Ainda assim, sei que a maior parte das pessoas — como foi o caso da Joana e do Francisco, os meus amigos que casaram —, não casam a pensar no contrato ou na promessa pública.

Casam porque querem celebrar o amor que sentem um pelo outro. E querem fazê-lo junto de quem mais gostam. O que é algo absolutamente compreensível e belo.

Além disso, e emoções à parte, visto que o casamento é algo financeiramente dispendioso, faria mais sentido para mim gastar o dinheiro numa grande viagem ao lado da pessoa amada.

Por estas razões, e embora, como disse, os casamentos sejam momentos que associe a uma grande felicidade e beleza intrínseca, continuo convicto de que não é algo que queira fazer, embora não diga que nunca irá acontecer. 

Confesso que, depois de ontem, e de me lembrar das lágrimas no casamento da minha mãe, fico com menos certezas do que aquelas com que entrei naquela cerimónia.

É sempre possível mudar de opinião. Aliás, só as pessoas menos inteligentes não o fazem. Vamos ver o que a vida me reserva 😉

Tendo o texto de hoje sido mais uma reflexão do que uma aprendizagem, gostava de genuinamente que me respondessem com a vossa opinião.

Por hoje é tudo.

Até quarta,

Francisco

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