155# Na terra do Drácula

Hoje escrevo-vos da Transilvânia.

E vou admitir-vos isto, com alguma vergonha: até aqui chegar, eu não sabia que o sítio para onde eu viria (e agora estou) era a Transilvânia.

Anteriormente, apenas tinha ouvido falar deste lugar como sítio onde existia o Castelo do Drácula.

Na minha cabeça, era uma pequena região, para os lados da Roménia.

Acontece que, para minha surpresa, é uma região bem maior do que eu pensava, tendo, para além do do Drácula, mais de 100 castelos.

A Transilvânia é uma zona com arredondadamente 100.000 kms quadrados, ocupando cerca de 42% do território romeno.

O nome “Transilvânia” significa “a terra para além da floresta”. 

Faz todo o sentido quando pensamos na muralha de montanhas que rodeia isto tudo: os Cárpatos.

Sobre a história, depois de pesquisar um pouco, parece que isto foi um autêntico jogo de xadrez durante séculos. 

Já foi território da Hungria, do Império Otomano e do Império Austro-Húngaro.

Por causa destas misturas, as cidades parecem-se muito com o que vemos na Alemanha ou na Áustria. 

É uma arquitetura mais medieval que não estava tanto à espera de encontrar na Roménia.

E o Drácula, perguntam vocês? 

Bem, segundo o que estive a ler, a história é engraçada, mas um bocado comercial demais.

O tal castelo do Drácula, cujo nome oficial é Castelo de Bran, é intrigante (pelas fotos), mas o escritor do livro, o Bram Stoker, nunca pôs os pés na Roménia, tendo apenas visto uma ilustração do castelo e achado que servia para a história.

O personagem real que inspirou a lenda chama-se Vlad Tepes, conhecido por Vlad the Impaler (não sei como o traduzir).

Vlad foi um príncipe da Wallachia, uma região a sul da Transilvânia, no século XV, que ganhou a sua alcunha graças ao seu método brutal de punir inimigos: empalá-los em estacas de madeira compridas (aparentemente há imensas estátuas e imagens gráficas disto na região e arredores).

Mas, diga-se, a Transilvânia é muito mais do que castelos e lendas de terror.

Uma coisa que me está a impressionar muito é a natureza…

Paisagens absolutamente deslumbrantes e animais que não temos em Portugal.

Hoje de manhã, o rececionista do meu hostel dizia-me que este fim de semana tinha feito um hike e tinha dado de caras com um urso.

“Holly shit!”, foi a minha reação.

Agora, depois de pesquisar, percebi o porquê: estimam-se que vivam mais de 6 mil ursos na região. É a maior concentração da Europa.

O rececionista disse-me ainda que não é invulgar ver alguns a passear perto das estradas ou das cidades de montanha ao fim do dia. 

Confesso que, por via das dúvidas, não me vou aventurar…

Também há vilas que parecem paradas no tempo, pelas quais passei de carro. Nada que Portugal não tenha, diga-se.

Em muitos sítios, o transporte ainda é a carroça puxada por cavalos e nota-se que as pessoas vivem do que a terra dá, sem grandes pressas.

Apesar disso, a Roménia já está bastante desenvolvida para os standards da Europa de Leste. Pelo menos é essa a minha impressão.

E parece-me, também, um lugar em crescimento, com uma economia vibrante e coisas a acontecerem, um bocado ao invés do que vejo em Portugal…

Para terminar, desde que aqui estou, a impressão é bastante positiva, principalmente a níveis de natureza.

Recomendo a visita a amantes de natureza e beleza natural!

Deixo-vos, ainda, algumas fontes que consultei para vos escrever: artigo formalartigo informalvídeo.

Por hoje é tudo.

Até quarta,

Francisco

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