Ontem passei 45 minutos, na Netflix, a escolher um filme para ver.
Quarenta. E cinco. Minutos.
Passei por documentários sobre fungos, thrillers coreanos e comédias românticas duvidosas.
E sabem o que acabei por escolher? Desligar a televisão e ler um livro porque já estava cansado de… escolher.
Comecei a refletir sobre a frustração advir do facto de ter tanta escolha, demasiada até.
Perguntei, por isso, ao Gemini se existia algum conceito sobre este fenómeno.
Obviamente, há.
Chama-se o Paradoxo da Escolha.
Foi criado por um psicólogo chamado Barry Schwartz.
A ideia é tão simples quanto contraintuitiva: nós achamos (pelo menos eu achava, agora tenho mais dúvidas) que quanto mais opções tivermos, mais livres e felizes seremos. Mas, na verdade, pode acontecer o oposto.
Ter muitas opções causa-nos duas coisas bastante chatas:
- Paralisia: Ficamos tão assoberbados com as alternativas que decidir torna-se um fardo. É, aliás, por isso que, agora que penso, às vezes fico 10 minutos a olhar para o corredor dos iogurtes no supermercado.
- Custo de Oportunidade: Mesmo quando escolhemos, ficamos menos satisfeitos. Porquê? Porque ficamos a pensar que aquela outra opção que deixámos para trás podia ter sido melhor, mesmo quando isso não é facilmente mensurável.
Se pensarmos, é um bocado como o Tinder ou outras apps de encontros.
Antigamente, as pessoas casavam com o vizinho do lado ou com alguém da aldeia.
Se funcionava? Nem sempre.
Mas não havia esta ansiedade constante de que estamos a um swipe de distância para encontrarmos alguém 5% mais compatível.
O ‘piloto automático’ de escolhas infinitas em que vivemos hoje é, por um lado, bom, porque nos permite ter maior controlo sob aquilo que escolhemos, mas também mau, porque se torna terrivelmente cansativo.
Schwartz, quando criou este conceito, deu um exemplo bastante paradigmático sobre calças de ganga.
Antigamente, iamos à loja e só havia um modelo.
Comprávamos, não eram perfeitas, e pronto.
Hoje temos slim fit, relax fit, regular fit, bootcut, acid wash, high waist…
Ou seja, acabamos por passar uma hora a experimentar e, quando saímos da loja, muitas vezes vamos frustrados porque, com tantas opções, a que escolhemos tinha de ser perfeita. E raramente é.
Isto aplica-se a tudo: à carreira, às viagens, até ao que vamos jantar.
Então, como resolvemos isto?
O segredo, segundo diz esta entidade maravilhosa que é a internet, é passarmos de “Maximizers” (quem quer sempre a melhor opção absoluta) para “Satisficers” (quem define critérios e aceita a primeira opção que os preencha).
Basicamente: aprender a dizer “isto é bom e chega”.
E quão difícil é fazer isso, eu sei…
O mundo moderno vende-nos a ideia de que a liberdade é ter o mundo inteiro à nossa disposição.
No entanto, talvez a verdadeira liberdade seja ter a disciplina de fechar algumas portas para podermos, finalmente, entrar por uma convictamente.
Deixo o disclaimer de que tudo o que escrevi não significa que preferisse viver numa sociedade onde não há escolha e em que tudo é predeterminado. Todavia, nem 8 nem 80 😉
Para quem quiser mergulhar mais nisto, deixo-vos algumas fontes que usei: TED Talk do Barry Schwartz, um artigo do The Guardian e um vídeo curto que resume bem a coisa.
Por hoje é tudo.
Até quarta,
Francisco

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