153# Porque é que o tempo passa cada vez mais rápido

Uma coisa em que praticamente todos podemos concordar é que quanto mais velhos nos tornamos, mais rápido o tempo parece passar.

A minha melhor definição de passar a ser adulto é: deixar de poder ficar aborrecido.

Eu deixei de ter tempo para estar aborrecido, literalmente.

O dia passa a correr, há sempre coisas pendentes e a lista de to-do’s é infindável.

Refletir sobre isto fez-me querer procurar perceber o porquê de isto acontecer.

Adivinhem…

Há várias explicações possíveis e não existe uma resposta única.

O que a investigação sugere é que esta sensação resulta de uma combinação de memória, atenção, rotina e da maneira como comparamos períodos da nossa vida.

A explicação mais intuitiva é que, quando somos mais novos, quase tudo é mais novo. Há mais primeiras vezes, mais mudanças, mais marcos. Isso cria mais “pontos de referência” na memória. Em retrospetiva, um período cheio de novidades parece mais longo porque o cérebro registou mais acontecimentos distintos. 

Já na idade adulta, a rotina tende a aumentar, os dias parecem mais semelhantes entre si e, quando olhamos para trás, esse período fica mais ‘comprimido’ na memória.

Outra ideia, muito citada, é a da proporção da vida…

Um ano para uma criança de 10 anos representa 10% da sua vida, mas para alguém de 50 anos, representa 2%. 

Claro que isso não prova por si só como o cérebro mede o tempo, mas ajuda a explicar porque é que períodos idênticos podem parecer subjetivamente menores à medida que envelhecemos.

A verdade é que também importa distinguirmos duas coisas diferentes, que por vezes baralhamos: sentir que “o dia está a demorar a passar” e achar que “os últimos 10 anos passaram num instante” são coisas diferentes. 

literatura mostra que, em experiências de laboratório, não há evidência forte de que os adultos mais velhos, em comparação com os mais novos, percebam o tempo curto a correr sempre mais depressa. 

A diferença aparece mais nas avaliações retrospetivas de períodos longos, sobretudo anos ou décadas.

A atenção tem igualmente peso. 

Quando estamos muito focados, ocupados ou a alternar entre tarefas, podemos reparar menos na passagem do tempo no momento. 

Mais tarde, se esse período não deixou memórias muito diferentes do habitual, pode parecer ainda mais curto quando o recordamos.

Por isso, resumindo e baralhando, o tempo não passa necessariamente mais depressa com a idade; o que muda é a forma como o cérebro o regista e reconstrói depois.

Este vídeo sobre o tema é muito giro, recomendo 😉

Por hoje é tudo.

Até quarta,

Francisco

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