Comecei esta semana a ler o livro Same as Ever, do Morgan Housel.
Numa altura em que a imprevisibilidade nunca foi tão grande, o objetivo do livro é tentar identificar e explicar as coisas que, aconteça o que acontecer, nunca mudam ao longo do tempo.
O livro tem insights extremamente interessantes, mas hoje queria focar-me em um, especificamente…
E este é o facto de que, dê lá por onde der, a única coisa que bate uma boa história, é uma história ainda melhor!
Reparem que alguém com uma história comovente, independentemente da sua veracidade, tem muito mais probabilidades de nos convencer do que alguém com factos verdadeiros inarticulados.
No seu livro, Housel diz o seguinte:
“O Morgan Freeman consegue fazer uma pessoa derramar lágrimas enquanto narra uma lista de compras enquanto um cientista que encontrou a cura para uma doença pode passar completamente despercebido”.
Isto acontece porque uma história consegue dar asas à nossa imaginação, ser relacionável e criar um sentimento de empatia e pertença.
Quando falamos de factos, é muito mais difícil de nos identificarmos ou, muitas vezes, de sequer entendermos.
Reparem, se o Hitler não tivesse criado toda uma narrativa à volta da grandiosidade ariana e da culpa dos judeus pelo fracasso da Alemanha, provavelmente o Holocausto nunca teria existido.
Neste momento, no Médio Oriente, há dezenas de milhares de pessoas dispostas a perder a vida em nome de uma história que lhes promete o paraíso e mulheres virgens aquando a sua chegada ao céu.
É este o poder de uma história!
Yuval Noah Harari, um dos meus autores favoritos, vendeu mais de 25 milhões de cópias apenas do seu livro “Sapiens“, tornando-o num dos livros mais vendidos de sempre.
E sabem o que é mais incrível?
É que o livro dele não traz absolutamente nada de novo.
Ele próprio o admite: “Quando eu estava a escrever o Sapiens pensei: “isto é tão banal!”. Não existe absolutamente nada de novo aqui. (…) Eu fiz zero nova pesquisa… aquilo que fiz foi ler conhecimento comum, já existente, e apenas o apresentei de uma nova forma.”
Eu adiciono às palavras dele: mais do que uma nova forma, aquilo ele fez foi integrar milénios de acontecimentos numa só história muito bem escrita.
Milhares de autores fizeram pesquisa inovadora e trabalharam anos para chegarem aos acontecimentos que Yuval apresenta no seu livro.
Mas nenhum deles conseguiu contar uma história tão boa como a dele.
E o sucesso das histórias aplicam-se a tudo.
Se pensarem em política, todos nós sabemos que um político para ganhar eleições não pode limitar-se a debitar factos, por mais corretos e úteis que eles sejam.
Ele/a tem que montar uma história, uma narrativa, para conseguir cativar os eleitores e fazer com que eles possam imaginar e relacionarem-se com aquilo que lhes é dito, ganhando o seu voto.
Se só sairem desta newsletter com um ensinamento, que seja este…
Neste mundo, as pessoas mais poderosas que existem, existiram e existirão, não são aqueles que mais coisas sabem, mas aqueles contam as histórias mais convincentes.
Concordas?
Por hoje é tudo.
Até quarta,
Francisco

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