141# “Tenho um medo irracional”

Hello!

Ontem, no escritório, em conversa com uma colega de trabalho, ela revelava-me que nunca tinha andado de avião.

Fiquei pasmado por 5 segundos.

Depois pensei: “Nem toda a gente tem que adorar viajar como tu!”

Acontece que, logo a seguir, ela me explicou a razão: “Tenho muito medo de andar de avião…”

Não sendo, naturalmente, a primeira pessoa que me diz ter esse medo, fiquei a pensar no quão chato deve ser ter essa fobia, que, pelo menos no meu caso, se revelaria absurdamente limitante.

Isto levou-me a refletir sobre medos e fobias. E até na diferença entre eles.

E é sobre isso que vos escrevo hoje…

Porque há medos que nos protegem.


há medos que nos encolhem a vida.

O medo normal, descobri, aparece perante um perigo real (ou plausível). Sobe, ajuda-nos a reagir, e desce quando a situação passa.

Uma fobia é um medo intenso e persistente, desproporcional ao risco real. Leva, muitas vezes, a evitamento e a sofrimento, mesmo quando a cabeça sabe que é exagerado.

Um detalhe útil: clinicamente, costuma falar-se em fobia quando existe persistência durante 6 meses ou mais.

Mas, então, porque temos fobias?

O cérebro tem um “alarme” para detectar ameaças.


Esse alarme aprende depressa, porque, na dúvida, é mais seguro reagir a mais do que a menos. 

As fobias podem formar-se por aprendizagem.


Por exemplo, uma experiência negativa (ou muito ansiosa) fica associada a um estímulo e passa a disparar alarme.

Também podem nascer por observação ou informação.


Ver alguém em pânico, ouvir histórias repetidas, ou crescer com muita mensagem de perigo pode treinar o alarme.

E há um ponto-chave: o evitamento mantém, em alguns caso agrava, a fobia.


Evitar baixa a ansiedade no momento, e o cérebro aprende “isto resulta”, ficando cada vez menos tolerante à situação.

Há ainda um fator evolutivo.


Alguns medos são mais fáceis de aprender (por exemplo, animais potencialmente perigosos ou alturas), porque foram relevantes durante muito tempo ao longo da nossa evolução.

Nos EUA, cerca de 9,1% dos adultos tinham uma fobia específica no último ano.

Há uma diferença por sexo: 12,2% nas mulheres vs 5,8% nos homens.

Ao longo da vida, estima-se que 12,5% dos adultos nos EUA tenham uma fobia específica em algum momento.


Isto significa 1 em cada 8 pessoas!

Fui pesquisar as 5 fobias mais comuns, que partilho com vocês (não estão por ordem porque as fontes não apontam todas para o mesmo):

1) Aracnofobia (aranhas)
É um exemplo clássico de “tipo animal”.
O gatilho pode ser ver a aranha, ver imagens, ou antecipar que “pode haver uma”.

2) Acrofobia (alturas)
Também conhecida por “vertigens”, está entre as mais frequentes nas grandes amostras.
Muitas vezes não é medo de cair ’em si’, é medo da sensação corporal e da perda de controlo perto de um desnível.

3) Claustrofobia (espaços fechados)
Elevadores, túneis, aviões, até ressonâncias magnéticas: o tema comum é “não consigo sair”.
O cérebro interpreta a falta de saída como ameaça, mesmo sem perigo real.

4) Aviofobia (voar)
Mistura de vários medos: altura, turbulência, falta de controlo, estar “preso”.
Esta, para mim, é a mais interessante, porque é a mais irracional, posto que todos os dados dizem que não há transporte mais seguro que um avião.

5) Fobia sangue–injecção–ferimento (inclui medo de agulhas)
É especial por uma razão fisiológica: pode haver desmaio vasovagal.
Em vez de só acelerar, o corpo pode passar por uma resposta ‘a duas fases’ que termina em queda de tensão e desmaio.

Cada um sendo, obviamente, dono da sua vida, eu sei que, tendo em conta a minha personalidade, se eu tivesse uma fobia não descansaria enquanto não a conseguisse superar!

E daí advém, claro, a pergunta mais importante…

Como superar uma fobia?

tratamento com melhor evidência para fobias específicas é a terapia de exposição, feita de forma gradual e repetida, para o cérebro perceber “isto não é uma ameaça”.

Existem, depois, para esta mesma terapia, um conjunto de técnicas/métodos que podem ajudar, tais como: reestruturação cognitiva (dar um outro significado ao medo), a respiração, a medicação e a exposição virtual.

Assim sendo, qual é a tua desculpa para não superares o teu medo irracional?

Se não tens fobia nenhuma, partilha esta newsletter com alguém que tenha!

Por hoje é tudo.

Até quarta,

Francisco

Sua assinatura não pôde ser validada.
Obrigado! Certifica-te que recebes um email de boas-vindas nos próximos 5 minutos. Caso não o encontres, verifica também no spam. Se não tiver chegado, por favor contacta-me para fnascimento@aprendealgoantesdedormir.pt Para garantires que recebes todas as newsletters, podes marcar o email de boas-vindas como importante na tua caixa de correio. ~A partir de agora, todas as semanas vais aprender algo antes de dormir!

Torna-te naquela pessoa que tem sempre algo interessante para partilhar.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *