136# Parece infinita, mas há quem mate por ela

Boa noite!

Hoje vou falar-vos de um assunto sobre o qual pouco ou nada sabia, mas que me deixou tão intrigado quanto surpreendido!

Sabiam que a areia é segundo recurso natural mais consumido, apenas superado pela água?

Eu não sabia.

Só em 2011, de acordo com um estudo de 3 académicos franceses, foram extraídos 50 milhões de toneladas de areia.

Pois é, a areia é usada para fazer, entre outras coisas, betão, vidro, painéis solares e microchips.

Por outras palavras, é indispensável para termos uma casa para dormir, um centro comercial para fazer compras, um copo para beber água ou um telemóvel para ler esta newsletter.

O facto de vivermos num mundo em constante e ubíquo crescimento faz com precisemos de cada vez mais areia.

Para ilustrar a situação, a BBC estima que a China já tenha usado mais areia para fazer betão neste século, do que os EUA em todo o século XX.

Basta pensarmos que, mundialmente, em 2019 4,2 mil milhões de pessoas já viviam em cidades (o quádruplo em relação a 1950) e que as Nações Unidas estimam que nas próximas 3 décadas outros 2,5 mil milhões de pessoas passem a viver em metrópoles.

Ora, logicamente que vão ter que ser construídas casas para estas pessoas. Casas essas que exigirão betão e, logo, areia.

Para complicar a situação, as alterações climáticas fazem com que o nível do mar tenha vindo a subir (estimando-se que assim continue), o que fará com que uma quantidade cada vez maior de areia passe a estar submersa e, por isso, mais difícil de extrair.

Talvez vocês estejam a pensar: “Mas, Francisco, o mundo está cheio de areia. Basta ver a quantidade de desertos que existem pelo mundo, como o do Sahara, por exemplo!”.

Eu também assim pensei. Infelizmente, há um problema.

A areia do deserto é, em grande medida, inútil para nós. 

A maior parte da areia extraída atualmente destina-se à produção de betão, mas a areia do deserto não serve para esse fim. 

Os seus grãos, moldados pelo vento em vez de pela água, são demasiado lisos e arredondados, o que impede que se encaixem entre si e formem um betão estável.

Tendo em conta tudo isto, deparamo-nos, claro, com uma escassez cada vez maior de areia. 

Essa escassez, como não podia deixar de ser, está a ter duas consequências nefastas: aumento da destruição de ecossistemas e do envolvimento de grupos de crime organizado na extração e comercialização deste valioso recurso natural.

Quanto à primeira consequência, relativa ao ambiente e à biodiversidade, tem maioritariamente que ver com a dragagem.

A dragagem é o processo de retirar areia do fundo de rios, lagos, barragens, estuários ou do mar usando máquinas chamadas dragas.

Este processo é comumente associado à erosão costeira e à devastação de ecossistemas. Algo que aconteceu na Florida, no Golfo Pérsico e no Quénia, por exemplo.

Quanto à segunda consequência, esta é ainda mais preocupante e triste.

A concorrência pela areia tornou-se tão intensa que, em vários locais, gangs criminosos entraram neste negócio, extraindo toneladas e toneladas de areia para vender no mercado negro. 

Em algumas regiões da América Latina e de África, segundo organizações de defesa dos direitos humanos, há crianças obrigadas a trabalhar quase como escravas em minas de areia. 

Estes grupos agem impunemente através dos métodos habituais: pagando a polícias e responsáveis governamentais corruptos para que estes fechem os olhos. 

Como qualquer organização criminosa de dimensão, quando se sentem em perigo, tornam-se terroristas, recorrem a agressões e ao assassinato de quem tente travá-los.

Em Chiapas, no México, o ativista ambiental José Luis Álvarez Flores foi assassinado em 2019, tendo sido deixado um bilhete com ameaças à família e a outros ativistas. 

Pouco depois, na Índia, a polícia foi alvo de disparos ao tentar travar um comboio de tratores carregados com areia extraída ilegalmente, resultando em dois mineiros mortos e dois agentes hospitalizados. 

Na África do Sul, um mineiro de areia foi baleado várias vezes após um conflito com outro grupo.

E estes casos não são isolados. 

Na última década, o comércio de areia tem provocado episódios de violência em países como o Quénia, a Gâmbia, a Indonésia e, de forma particularmente intensa, na Índia, onde as chamadas “máfias da areia” já mataram várias dezenas de pessoas, incluindo professores, ativistas, jornalistas e, claro, polícias.

Para quem ficou intrigado, como eu, deixo-vos muito por onde pesquisar sobre este tema:

Por hoje é tudo.

Até quarta,

Francisco

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