Boa noite!
Hoje quero falar-vos de algo invisível, mas de que todos dependemos. Algo cuja danificação faria com que esta newsletter não tivesse chegado à vossa caixa de entrada.
Estou a falar, por mais surpreendente que seja para alguns, de cabos submarinos.
Não, não são satélites nem antenas que carregam o grosso da informação. São tubos de vidro, mais finos do que um cabelo humano, estendidos a milhares de metros de profundidade, no fundo de mares e oceanos.
Atualmente existem mais de 550 cabos ativos no mundo, com uma extensão total de 1,7 milhões de quilómetros – o equivalente a dar mais de 30 voltas à Terra.
Cada cabo contém fibras ópticas que transmitem dados através de luz a velocidades próximas de 200.000 km por segundo, permitindo que um email enviado da Europa para os EUA chegue em milissegundos.
Como imaginam, estes cabos são simultaneamente a espinha dorsal da comunicação global e um dos pontos mais vulneráveis da economia mundial. Se um for cortado, seja por acidente ou sabotagem, milhões de pessoas perdem a ligação.
Exemplos não faltam: em novembro do ano passado, dois cabos no Mar Báltico (C-Lion1 e BCS East-West Interlink) foram danificados, interrompendo tráfego entre a Finlândia e a Alemanha. Só o C-Lion1, por exemplo, tem uma capacidade de até 144 terabits por segundo.
E como funcionam estas ligações, perguntam vocês?
Cada cabo liga estações de aterragem em terra, onde o sinal óptico é convertido e distribuído para as redes locais. Ao longo do percurso, a cada 50 a 100 km, estão embutidos repetidores submarinos (uma espécie de estações de serviço), que amplificam o sinal de luz. Estes repetidores funcionam com corrente elétrica contínua fornecida a partir das margens do cabo, muitas vezes a 20.000 volts.
Como também já devem estar a imaginar, onde há cabos também há (muito) poder!
Nos últimos anos, empresas como Alphabet, Meta, Microsoft e Amazon deixaram de ser apenas utilizadores para se tornarem donos de cabos submarinos. Hoje, estas quatro controlam mais de 50% da capacidade global destes cabos. Isso significa que não só prestam serviços de cloud, como também controlam a infraestrutura que leva esses serviços até nós.
No fundo, a melhor forma que encontro para olhar para isto, é como uma espécie de “autoestradas invisíveis” que ligam continentes. Cada mensagem que enviamos, cada vídeo que vemos, e até esta newsletter que estão a ler agora, passaram por esses cabos.
E foi isso que me fascinou tanto neste tema e a razão pela qual decidi escrever sobre ele: vivemos num mundo cada vez mais digital, mas dependemos de algo tão físico, frágil e escondido no fundo do mar (que já foi atacado por tubarões).
Se quiserem explorar melhor este tema, deixo-vos este vídeo curto e muito elucidativo. Aqui podem ver como estes cabos são instalados no fundo do mar e aqui um mapa que mostra onde todos eles estão. Deixo-vos ainda um artigo muito interessante que li quando estava a pesquisar o tema, com FAQ’s sobre os cabos submarinos.
Se achaste este tema intrigante, partilha esta newsletter e considera contribuir através de um donativo. Tal como os cabos ligam continentes, são partilhas como a tua que ligam mais pessoas a este projeto!
Por hoje é tudo.
Até quarta!
Francisco

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