121# Sabes estar sozinho?

Boa noite!

Desde miúdo, sempre me lembro de não gostar de estar sozinho. “Não te conseguias entreter 2 minutos sozinho!”, diz-me a minha mãe hoje em dia, em jeito de desabafo de quem sofreu a criar-me.

Hoje, crescido, contínuo a ter alguma dificuldade, mas foi algo a que me comprometi a combater, e onde melhorei bastante.

Estar sozinho no século XXI é ainda mais difícil do que antes. Isto porque com 2 cliques podemos ver os nossos amigos a divertirem-se numa festa em Bali, ou até aquela pessoa que conhecemos uma vez casualmente numa jantarada com 20 pessoas a disfrutar de um momento de comunidade onde imaginamos que estaríamos melhor.

Perante isto, é importante diferenciar entre estarmos sozinhos e sentirmo-nos sós.

Vivemos rodeados de pessoas, notificações e estímulos, mas paradoxalmente muitas pessoas sentem-se sozinhas mesmo no meio da multidão. Estar sozinho e sentir solidão não são a mesma coisa. 

A solidão é uma ausência que pesa, o estar sozinho é uma escolha que pode libertar.

O problema é que já não sabemos “não fazer nada”. Pegamos no telemóvel quando estamos numa fila, ligamos a televisão para ter barulho de fundo, abrimos as redes sociais para preencher segundos de vazio. 

Esta incapacidade de estar só com os próprios pensamentos cria um vício na distração.

No entanto, curiosamente, a história mostra-nos que os momentos de solidão voluntária já foram muito férteis. Buda meditou sozinho debaixo de uma árvore antes de atingir o Nirvana. Nietzsche caminhava longas horas sem companhia para amadurecer ideias. Fernando Pessoa escrevia compulsivamente, muitas vezes em cafés cheios, mas mergulhado numa solidão interior.

O ser humano é, de facto, um animal social, mas é também um ser reflexivo. O equilíbrio entre o “nós” e o “eu” é essencial. 

Sem tempo a sós, acabamos por perder o contacto com aquilo que realmente pensamos ou sentimos. Passamos a viver num ruído permanente, reagindo ao que vem de fora sem espaço para digerir nada.

Aprender a estar sozinho não significa rejeitar os outros, mas aprender a encontrar em nós mesmos companhia suficiente. 

É perceber que não precisamos de uma agenda cheia ou de uma sala barulhenta para existir plenamente, ou para nos sentirmos parte de algo. É nesse espaço que se constrói o autoconhecimento e, com ele, uma base sólida para relações mais saudáveis.

Da minha experiência, a maior parte das pessoas não gosta da sua própria companhia. Não conseguem ir jantar fora sozinhos. Ou ir à praia. Ou ir ao cinema. Ou viajar.

Se for o caso de quem lê estas linhas, deixo um desafio: experimentem algo tão ‘simples’ como um almoço sozinhos, sem fazer nada para além de comer. Sem mexer no telemóvel, ver TV, ver séries, o que seja. Apenas estejam presentes no momento com os vossos pensamentos.

Para muitos será desconfortável, mas, provavelmente, a estranheza inicial dará lugar a algo raro – observar, saborear, pensar. Pequenos gestos destes funcionam como treino para o cérebro, um músculo de presença que precisa de ser exercitado.

Saber estar sozinho é uma forma de resiliência. Quem foge constantemente do silêncio acaba por sentir mais medo quando ele aparece. Quem o pratica consegue transformar o vazio em pausa, e a pausa em clareza. Em vez de solidão, surge espaço para criatividade, descanso e autenticidade.

Ao refletir e pesquisar para vos escrever este texto, encontrei este vídeo incrível, que me trouxe, de forma um pouco inexplicável, uma grande paz de espírito. Aconselho muito.

Por hoje é tudo.

Até quarta,

Francisco

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