Boa noite!
E se a nossa respiração pudesse alterar o nosso humor e balancear a nossa temperatura corporal quando sentimos frio ou calor?
E não é que pode mesmo?!
Hoje, por recomendação de um amigo, estive a ouvir um episódio antigo do The Tim Ferris Show, com Wim Hof como convidado.
O Wim Hof, para quem não nunca ouviu falar, é conhecido como “The Iceman”, o homem que ficou famoso por feitos como subir o Monte Kilimanjaro em calções, correr meia maratona no Círculo Polar Ártico descalço e permanecer longos períodos submerso em gelo, graças à sua técnica de respiração e exposição ao frio – o auto proclamado Método Wim Hof.
Um dos seus vários recordes do Guinness é o de ter alcançado o maior número de tempo dentro de um banho gelado – 1 hora, 52 minutos e 43 segundos!
A razão pela qual vos falo desta pessoa é que, segundo ele, tudo aquilo que ele fez foi essencialmente devido à sua respiração, alegando que qualquer outra pessoa o poderia fazer.
Isso inspirou-me a pesquisar sobre o tema e a escrever-vos sobre ele!
Repararam que utilizei a palavra “inspirou-me”? Pois é, a palavra “inspiração” tem esse duplo sentido, uma espécie de encorajamento a pensar ou agir e, ao mesmo tempo, a simples inspiração de ar durante a respiração. Não é à toa. Uma está ligada à outra!
Mas, adiante, o que é afinal este trabalho de respiração?
O trabalho de respiração, ou breathwork, baseia-se num conjunto de técnicas que utilizam a respiração de forma consciente e controlada para influenciar o corpo e a mente.
Não é apenas “respirar fundo”. Aparentemente, envolve padrões específicos de inspiração, expiração e retenção que podem ter efeitos mensuráveis no bem-estar físico e emocional.
Certas práticas de respiração são usadas para reduzir o stress, baixar a pressão arterial e melhorar a concentração.
Uma técnica simples é a respiração 4-7-8: inspirar durante 4 segundos, segurar 7 segundos e expirar lentamente em 8 segundos. É usada para relaxar antes de dormir e para acalmar o sistema nervoso.
O breathwork não é novo. Civilizações antigas já utilizavam técnicas semelhantes: no yoga, o pranayama; no budismo, a respiração meditativa que ambiciona alcançar o Nirvana; em algumas culturas indígenas, padrões de respiração ligados a rituais de cura.
O que acontece é que a ciência moderna começa agora a explicar o que estas práticas fazem ao cérebro e ao corpo.
Um dos efeitos mais curiosos é a forma como a respiração pode alterar a química do sangue. Ao respirar mais rápido e profundo por períodos curtos, como no método de Wim Hof, baixamos os níveis de dióxido de carbono, o que muda o pH do sangue e pode dar sensação de energia, calor ou até euforia.
Outro exemplo é o uso da respiração para gerir a dor. Estudos com atletas mostram que técnicas específicas ativam a libertação de endorfinas e aumentam a tolerância ao desconforto. É por isso que muitos maratonistas e praticantes de artes marciais treinam o controlo respiratório.
A respiração também pode influenciar o sistema imunitário. Experiências com voluntários que usaram métodos como o de Wim Hof mostraram que, após exposição a toxinas, tiveram respostas inflamatórias mais baixas do que o normal. Ainda há debate sobre os mecanismos, mas os resultados são promissores.
Curiosamente, a respiração é das poucas funções corporais que é automática e voluntária ao mesmo tempo. Isto significa que podemos “entrar no sistema” e afetar processos como batimentos cardíacos, tensão muscular e até a perceção de dor. É uma espécie de controlo remoto interno que raramente usamos.
No meio disto tudo, talvez a principal lição seja perceber que a respiração não é apenas um reflexo automático. É uma ferramenta poderosa, sempre connosco, e que, usada de forma intencional, pode ajudar-nos a melhorar a nossa energia, foco e resistência – e quem sabe a atingir o Nirvana 😉
Caso vos tenha despertado a curiosidade, deixo-vos o site do Wim Hof, um vídeo dele sobre o seu método (que tem mais de 100M de visualizações) e um short film muito bom sobre breathwork 🙂
Por hoje é tudo.
Até quarta,
Francisco

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