Olá!
Como a maior parte de vocês saberá, eu sou um entusiasta da descentralização.
Hoje venho falar-vos de algo profundamente relacionado, mas que sinto que a maior parte das pessoas nem sequer entende o que é, muito menos a sua utilidade.
Tenho pena que estes temas sejam por vezes tão abstratos para a pessoa comum, principalmente porque têm um potencial imenso.
Vamos por partes…
Os NFTs são objetos digitais únicos que só existem na blockchain, uma espécie de livro de transações. A sigla vem do inglês non-fungible token, que significa “token não fungível”.
Isto quer dizer que cada NFT é diferente dos outros e não pode ser trocado diretamente como se troca dinheiro ou criptomoedas.
Por exemplo, uma nota de 10 euros vale o mesmo que outra nota de 10 euros, pelo que estas podem ser ‘fundidas’ (fungible) e tornarem-se em 20 euros. Mas um NFT é ‘não fundível’ (non-fungible) como uma obra de arte: só existe uma com aquele número e assinatura. Mesmo que alguém copie a imagem, só uma pessoa pode ter o original com o registo oficial de propriedade.
Esse registo fica gravado na blockchain, que é como um livro digital gigante que guarda informação segura e pública. Ninguém pode alterar esse registo, o que garante que o dono de um NFT pode provar que é o verdadeiro proprietário.
Os NFTs ficaram famosos quando artistas começaram a vender obras digitais por milhões de euros. Mas também já foram usados como bilhetes de concertos, cartões colecionáveis, roupas virtuais ou provas de que alguém tem acesso a conteúdos exclusivos online.
E é aí que entra a sua importância! No futuro, os NFTs podem servir para guardar documentos como diplomas, contratos de casas, bilhetes de avião ou dados médicos — sempre com garantia de autenticidade.
Também podem ser úteis em videojogos, onde os jogadores compram itens e passam a ser donos deles, podendo vender ou trocar com outras pessoas.
Um exemplo real: a Nike já vendeu sapatilhas digitais que provam que alguém tem um par verdadeiro e limitado. Noutros casos, artistas deram concertos apenas para quem tinha o NFT do bilhete.
Mas, claro, nem tudo são rosas. Muitas pessoas compraram NFTs para tentar ganhar dinheiro rápido e acabaram por perder tudo – a clássica ganância humana. O mercado ficou cheio de projetos sem valor e de burlas.
Hoje, a maioria dos NFTs perdeu quase todo o valor que teve em 2021.
Além disso, no início, muitos NFTs usavam sistemas que gastavam muita energia, o que levantou preocupações com o ambiente. Felizmente, novas tecnologias estão a tentar a resolver esse problema.
Outro ponto importante: quando compras um NFT, nem sempre estás a comprar o ficheiro (a imagem, o vídeo ou a música). Por vezes, estás a comprar um link que aponta para esse ficheiro, que pode desaparecer se o servidor onde ele está for apagado.
Mesmo assim, a ideia dos NFTs continua viva (e bem, a meu ver). Em vez de serem vistos como investimento, começam a ser usados como ferramentas para garantir que algo digital é mesmo teu — como uma espécie de recibo ou chave digital.
É possível, e até provável, que, no futuro, já ninguém fale em “NFTs”, mas que a tecnologia continue a ser usada de forma invisível no nosso dia a dia. Vai estar por trás de aplicações, serviços e sistemas que exigem confiança e segurança digital.
Espero que esta pequena explicação vos tenha aberto a curiosidade para explorar mais esta tecnologia com tanto potencial.
Se assim for, vejam este vídeo da The Economist que, apesar dos 3 anos que já tem, é bastante interessante e informativo.
Por hoje é tudo.
Até quarta,
Francisco

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