Olá!
Bem, como sabem esta newsletter não tem como objetivo falar da atualidade.
No entanto, a pedido de muitas famílias, derivado da recente queda do governo, hoje pretendo clarificar o que são moções de confiança e censura.
Para começar, na democracia portuguesa, há uma diferença essencial entre o Parlamento e o Governo.
O Parlamento (Assembleia da República) é composto por deputados eleitos que representam os cidadãos, enquanto o Governo é responsável por governar o país (e formado pelo partido mais votado, por norma).
O Governo é liderado pelo Primeiro-Ministro e deve ter o apoio da maioria dos deputados. Caso perca esse apoio, pode ficar numa posição insustentável, e é aqui que entram as moções de confiança e de censura.
A moção de confiança é uma iniciativa do próprio Governo. Quando um Primeiro-Ministro sente que precisa de reforçar a sua legitimidade, pode pedir ao Parlamento que vote uma moção de confiança.
Se a moção for aprovada, significa que a maioria dos deputados continua a apoiar o Governo. Se for rejeitada, isso indica que perdeu a confiança parlamentar e, em regra, deve apresentar a sua demissão.
Foi isto que aconteceu em Portugal na semana passada: Luís Montenegro apresentou uma moção de confiança e uma maioria parlamentar chumbou-a.
Porque é que a apresentou, se não tinha maioria absoluta parlamentar e sabia que provavelmente seria chumbada, perguntam vocês. Essa é a pergunta que ninguém sabe ao certo responder, embora existam várias teorias.
Quanto à moção de censura, ela funciona ao contrário: é apresentada pelos partidos da oposição representados no parlamento.
Quando um partido ou grupo de deputados considera que o Governo está a falhar, pode propor uma moção de censura para tentar derrubá-lo.
Para que uma moção de censura seja aprovada, precisa de votos favoráveis da maioria absoluta dos deputados. Se for aprovada, o Governo deve apresentar a sua demissão ao Presidente da República, que pode nomear um novo Governo ou convocar eleições.
Na história parlamentar portuguesa, poucas moções de censura foram bem-sucedidas. Isto porque, na maioria dos casos, os governos têm o apoio da maioria dos deputados e conseguem rejeitá-las.
Quando as moções de censura são aprovadas, geralmente existem novas eleições e os partidos que propuseram e votaram a moção de censura tendem a sair prejudicados, daí os grandes partidos muito raramente as apresentarem (sabem que serão penalizados pelos eleitores).
Isto aconteceu, por exemplo em 1987. Na altura, o Prof. Aníbal Cavaco Silva era Primeiro-Ministro com maioria relativa, há dois anos. Uma moção de censura foi apresentada por um partido da oposição e aprovada por maioria parlamentar.
O país foi então a eleições e, assim, nasceu a primeira maioria absoluta parlamentar no pós 25 de abril. Maioria absoluta esta dada ao Prof. Aníbal Cavaco Silva pelo povo português.
Ou seja, a moção de censura foi apresentada para fazer o governo cair e haverem novas eleições. O resultado foi uma demonstração muito expressiva que os portugueses queriam, de facto, o PSD no governo, chefiado por Cavaco Silva.
As moções de confiança e de censura são instrumentos fundamentais da democracia. Garantem que o Governo só continua em funções se tiver o apoio do Parlamento.
Em períodos de crise política, estes mecanismos tornam-se ainda mais relevantes. Um Governo pode usar a moção de confiança para testar o seu apoio, e a oposição pode recorrer à moção de censura para tentar provocar mudanças.
São ferramentas que reforçam a responsabilidade política e a transparência governativa. Permitem que os cidadãos saibam se os seus representantes ainda confiam no Governo ou se é necessário um novo rumo para o país.
Entender estas dinâmicas é essencial para acompanhar a política portuguesa. Afinal, são elas que determinam a estabilidade e a continuidade de qualquer Governo.
Não tendo encontrado nenhum vídeo especialmente bom, deixo-vos este artigo que pode tornar a coisa mais clara, caso ainda tenham dúvidas.
Por hoje é tudo.
Até amanhã,
Francisco

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