79# O que são as moções de confianças e censura?

Olá!

Bem, como sabem esta newsletter não tem como objetivo falar da atualidade.

No entanto, a pedido de muitas famílias, derivado da recente queda do governo, hoje pretendo clarificar o que são moções de confiança e censura.

Para começar, na democracia portuguesa, há uma diferença essencial entre o Parlamento e o Governo. 

O Parlamento (Assembleia da República) é composto por deputados eleitos que representam os cidadãos, enquanto o Governo é responsável por governar o país (e formado pelo partido mais votado, por norma).

O Governo é liderado pelo Primeiro-Ministro e deve ter o apoio da maioria dos deputados. Caso perca esse apoio, pode ficar numa posição insustentável, e é aqui que entram as moções de confiança e de censura.

A moção de confiança é uma iniciativa do próprio Governo. Quando um Primeiro-Ministro sente que precisa de reforçar a sua legitimidade, pode pedir ao Parlamento que vote uma moção de confiança.

Se a moção for aprovada, significa que a maioria dos deputados continua a apoiar o Governo. Se for rejeitada, isso indica que perdeu a confiança parlamentar e, em regra, deve apresentar a sua demissão.

Foi isto que aconteceu em Portugal na semana passada: Luís Montenegro apresentou uma moção de confiança e uma maioria parlamentar chumbou-a.

Porque é que a apresentou, se não tinha maioria absoluta parlamentar e sabia que provavelmente seria chumbada, perguntam vocês. Essa é a pergunta que ninguém sabe ao certo responder, embora existam várias teorias.

Quanto à moção de censura, ela funciona ao contrário: é apresentada pelos partidos da oposição representados no parlamento.

Quando um partido ou grupo de deputados considera que o Governo está a falhar, pode propor uma moção de censura para tentar derrubá-lo.

Para que uma moção de censura seja aprovada, precisa de votos favoráveis da maioria absoluta dos deputados. Se for aprovada, o Governo deve apresentar a sua demissão ao Presidente da República, que pode nomear um novo Governo ou convocar eleições.

Na história parlamentar portuguesa, poucas moções de censura foram bem-sucedidas. Isto porque, na maioria dos casos, os governos têm o apoio da maioria dos deputados e conseguem rejeitá-las.

Quando as moções de censura são aprovadas, geralmente existem novas eleições e os partidos que propuseram e votaram a moção de censura tendem a sair prejudicados, daí os grandes partidos muito raramente as apresentarem (sabem que serão penalizados pelos eleitores).

Isto aconteceu, por exemplo em 1987. Na altura, o Prof. Aníbal Cavaco Silva era Primeiro-Ministro com maioria relativa, há dois anos. Uma moção de censura foi apresentada por um partido da oposição e aprovada por maioria parlamentar.

O país foi então a eleições e, assim, nasceu a primeira maioria absoluta parlamentar no pós 25 de abril. Maioria absoluta esta dada ao Prof. Aníbal Cavaco Silva pelo povo português.

Ou seja, a moção de censura foi apresentada para fazer o governo cair e haverem novas eleições. O resultado foi uma demonstração muito expressiva que os portugueses queriam, de facto, o PSD no governo, chefiado por Cavaco Silva.

As moções de confiança e de censura são instrumentos fundamentais da democracia. Garantem que o Governo só continua em funções se tiver o apoio do Parlamento.

Em períodos de crise política, estes mecanismos tornam-se ainda mais relevantes. Um Governo pode usar a moção de confiança para testar o seu apoio, e a oposição pode recorrer à moção de censura para tentar provocar mudanças.

São ferramentas que reforçam a responsabilidade política e a transparência governativa. Permitem que os cidadãos saibam se os seus representantes ainda confiam no Governo ou se é necessário um novo rumo para o país.

Entender estas dinâmicas é essencial para acompanhar a política portuguesa. Afinal, são elas que determinam a estabilidade e a continuidade de qualquer Governo.

Não tendo encontrado nenhum vídeo especialmente bom, deixo-vos este artigo que pode tornar a coisa mais clara, caso ainda tenham dúvidas.

Por hoje é tudo.

Até amanhã,

Francisco

Sua assinatura não pôde ser validada.
Obrigado! Certifica-te que recebes um email de boas-vindas nos próximos 5 minutos. Caso não o encontres, verifica também no spam. Se não tiver chegado, por favor contacta-me para fnascimento@aprendealgoantesdedormir.pt Para garantires que recebes todas as newsletters, podes marcar o email de boas-vindas como importante na tua caixa de correio. ~A partir de agora, todas as semanas vais aprender algo antes de dormir!

Torna-te naquela pessoa que tem sempre algo interessante para partilhar.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *