75# A guerra civil que o mundo ignora

Boa noite!

Hoje estava a fazer um dos meus passatempos favoritos: ver viagens.

E como eu gosto de destinos exóticos, procurei voos para o Sudão.

Qual não foi o meu espanto quando descobri que…

Não existem!

Só depois me lembrei…

É a guerra civil, estúpido!

A guerra que o mundo ignora, mas que está a ser das mais devastadoras dos últimos séculos, a níveis humanitários.

Fui pesquisar melhor o que está em causa…

Então, a guerra civil no Sudão, iniciada a 15 de abril de 2023, opõe as Forças Armadas Sudanesas (FAS) às Forças de Apoio Rápido (FAR), uma milícia paramilitar.

Este conflito emergiu de uma luta pelo poder entre o general Abdel Fattah al-Burhan, líder das FAS, e Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti, comandante das FAR.

Ambos os líderes foram aliados após o golpe militar de 2021, que derrubou um governo de transição civil.

Com ambições conflitantes e desconfiança mútua, a aliança desfez-se, dando origem a uma guerra brutal que devastou o país.

A violência resultante tem sido devastadora.

Estima-se que dezenas de milhares de pessoas tenham perdido a vida, embora os números exatos sejam incertos devido à falta de registos fiáveis.

A ONU aponta para mais de 150 mil mortos, incluindo milhares de civis apanhados no fogo cruzado.

Milhares de mulheres foram vítimas de violência sexual, com relatos de escravidão e abusos sistemáticos em Darfur.

Mais de 10 milhões de sudaneses foram deslocados, tornando esta a maior crise de deslocamento forçado do mundo.

Milhares fogem diariamente para países vizinhos, como o Chade, o Egito e o Sudão do Sul, sobrecarregando as já frágeis infraestruturas destes países.

A crise humanitária é catastrófica. Cerca de 30 milhões de sudaneses necessitam de assistência urgente, representando um terço de todas as pessoas em crise humanitária no mundo.

Milhões enfrentam insegurança alimentar severa, com relatos de fome iminente em várias regiões.

No campo de deslocados de Zamzam, no Darfur, a fome foi oficialmente declarada, algo que não acontecia há décadas.

A infraestrutura de saúde colapsou, com mais de 70% dos hospitais fora de serviço devido aos combates.

A cólera e outras doenças transmissíveis alastram rapidamente, agravadas pela falta de água potável e saneamento.

O bloqueio à ajuda humanitária por ambas as partes beligerantes impede que os suprimentos cheguem aos mais necessitados.

As FAR controlam grandes áreas do território, enquanto as FAS mantêm o domínio sobre algumas cidades estratégicas.

A luta pela capital, Cartum, e pela cidade de El Fasher, no Darfur do Norte, tem sido particularmente sangrenta.

As FAR têm sido acusadas de crimes de guerra e de limpeza étnica contra comunidades não árabes, repetindo os horrores do conflito de Darfur dos anos 2000.

As FAS, por sua vez, realizam bombardeamentos indiscriminados em áreas urbanas, matando civis e destruindo infraestruturas essenciais.

As tentativas de mediação internacional falharam repetidamente.

A influência de potências estrangeiras complica ainda mais o cenário.

Os Emirados Árabes Unidos são apontados como principais apoiantes das FAR, fornecendo armas e financiamento.

O Irão, por outro lado, tem enviado drones e equipamento militar às FAS, reforçando a sua capacidade ofensiva.

A Arábia Saudita e os EUA tentaram negociar cessar-fogos, mas todas as tréguas colapsaram em poucos dias.

A ONU e organizações humanitárias pedem um embargo internacional ao fornecimento de armas, mas sem sucesso até agora.

O comércio ilegal de ouro, um dos principais motores do conflito, continua a financiar ambas as partes.

A comunidade internacional é instada a intensificar os esforços diplomáticos e a assistência humanitária.

Sem uma intervenção eficaz, o sofrimento do povo sudanês continuará a agravar-se. Os especialistas alertam que, sem um acordo de paz viável, o Sudão poderá fragmentar-se, dando origem a uma guerra prolongada que pode durar décadas.

O país, outrora um dos maiores de África, corre o risco de se tornar um território fraturado, dominado por grupos armados e milícias locais.

Enquanto os líderes da guerra procuram consolidar o seu poder, a população sudanesa continua a pagar o preço mais alto – demasiado alto!.

Com fome, deslocação em massa e uma guerra sem fim à vista, o futuro do Sudão permanece incerto.

Isto faz-me pensar na sorte que temos, por não termos que vivenciar, pelo menos até agora, tempos de guerra…

Aqui vos deixo um vídeo ilustrativo que explica o conflito em 10 minutos.

Por hoje é tudo.

Até amanhã,

Francisco

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