Boa noite!
Já dei por mim a pensar: “será que devemos agir sempre segundo os padrões que gostávamos que fossem universais?”
Infelizmente ou felizmente, alguém já tinha pensado nisso antes de mim e desenvolvido uma teoria sobre o assunto.
É por isso que hoje vamos falar do Imperativo Categórico (IC) 😉
O imperativo categórico é um conceito central na filosofia moral de Immanuel Kant, desenvolvido na sua obra fundamental Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785).
Representa uma regra moral absoluta e universal, que se deve seguir independentemente das circunstâncias ou interesses individuais.
O imperativo categórico é uma fórmula ética que determina como devemos agir, baseando-se na razão pura e não em inclinações ou consequências. Kant distingue entre:
- Imperativo hipotético: Regras condicionais baseadas em objetivos específicos (ex.: “Se queres passar no exame, tens de estudar.”).
- Imperativo categórico: Uma regra moral incondicional, válida para todos, em todas as circunstâncias.
Existem 3 fórmulas no Imperativo Categórico, que Kant formulou:
- Fórmula da Lei Universal: “Age apenas segundo uma máxima tal que possas querer que ela se torne uma lei universal.”
- Fórmula da Humanidade: “Age de tal modo que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre como um fim e nunca como um meio apenas.”
- Fórmula da Autonomia: “Age de tal modo que a tua vontade possa considerar-se, ao mesmo tempo, como legisladora universal.”
O imperativo categórico serve como critério para avaliar a moralidade de ações específicas.
Por exemplo, se pensarmos: “E se todos mentissem?” A mentira não pode ser universalizada sem gerar contradições, pois destruiria a confiança mútua, logo não poderia ser um IC.
Mas se virmos uma velhinha a ser assaltada, pensaremos: “Será que devo atuar de forma a impedir que isto aconteça?”. Caso consideremos que todas as pessoas no nosso lugar o deveriam fazer, então é correto de acordo com o IC.
Claro que, como todas as teorias relevantes, ela tem falhas e já foi alvo de várias críticas. As mais relevantes são:
- Rigidez e inflexibilidade: O modelo kantiano não considera as consequências das ações, levando a decisões que podem ser intuitivamente imorais. Por exemplo, se mentir a um assassino para proteger uma vida é errado porque viola o princípio da universalização de dizer a verdade.
- Falta de consideração pelo contexto: Não permite a adaptação das regras a situações específicas, ignorando a complexidade da vida real.
- Formalismo excessivo: Críticos, como Hegel, acusam Kant de fornecer apenas um método abstrato, sem conteúdo concreto para guiar a moralidade.
A meu ver, apesar das críticas, o imperativo categórico continua a ser uma pedra angular da filosofia moral, que, fornecendo uma ideia de moralidade, levanta muitas outras questões que precisam de ser endereçadas.
Mas isso fica para outro dia 😊
Deixo-vos ainda este vídeo de 4 minutos que explica de forma clara o Imperativo Categórico.
Por hoje é tudo,
Francisco

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