Boa noite!
Há uns dias li pela primeira vez sobre o QAnon.
Já ouviram falar?
O QAnon é um movimento político conspirativo que surgiu nos Estados Unidos em outubro de 2017.
Nessa altura, um utilizador anónimo autodenominado “Q” começou a publicar mensagens no 4chan, alegando que tinha informações confidenciais do Governo americano.
Estas mensagens criptográficas sugeriam que Donald Trump liderava uma operação secreta para desmantelar uma cabala de elites globais, que incluía políticos de alto nível, celebridades e magnatas.
Baseavam-se, também, em alegações não comprovadas de que existe uma cabala secreta das elites globais que controlam o mundo e que estam envolvida em atividades criminosas, incluindo tráfico humano e abuso infantil.
Os seguidores do QAnon acreditam que o “Deep State” (as tais elites) será levado à justiça durante um dia violento de acerto de contas conhecido como “a Tempestade”.
Nesse dia, acreditam eles, o “Deep State” e os seus colaboradores serão presos e enviados para Guantanamo onde enfrentarão tribunais militares e execuções pelos seus vários crimes.
Apesar de ser desmentido por fact-checkers e especialistas, o QAnon ganhou popularidade, especialmente nas redes sociais.
Teve impacto em questões políticas, manifestações e eventos como o ataque ao Capitólio dos EUA, a 6 de janeiro de 2021.
As plataformas digitais começaram a limitar o conteúdo relacionado ao QAnon devido à disseminação de desinformação e ao incitamento de violência.
No entanto, o movimento ainda encontra apoio em grupos menores, mesmo fora dos Estados Unidos.
E, mesmo restringido, as teorias muitas vezes ainda prosperaram nas redes sociais devido a algoritmos que amplificam conteúdo conspiratório, dado o engagement que o extremismo cria.
Especialistas consideram o QAnon semelhante a um culto, com impacto psicológico significativo nos seguidores e para as suas famílias.
Alguns governos classificaram até o QAnon como uma ameaça à segurança devido ao potencial de incitamento à violência.
Num mundo em que a informação, apesar de cada vez mais acessível, é mais difícil de verificar, é importante estarmos a par deste tipo de movimentos.
Como habitual, se quiserem aprofundar, deixo-vos um vídeo e dois textos – aqui e aqui.
Por hoje é tudo.
Até amanhã,
Francisco

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