12# Neuroarquitetura: o que é e porque é ubíqua?

Bom dia, boa tarde, boa noite!

Uma vez, em conversa, o dono de um restaurante disse-me que tinha pintado as paredes do seu restaurante de vermelho com um objetivo específico…

Esse objetivo era o de “cansar” a vista dos clientes mais rápido, para que fizessem refeições mais curtas e pudesse ter uma maior rotação das mesas, aumentando assim a faturação.

Aquilo deixou-me a pensar e… claro, fui pesquisar!

Já ouviram falar em Neuroarquitetura?

Eu também não tinha, mas pareceu-me interessante.

Bem, eu sou suspeito, porque tudo o que mexe com o cérebro suscita a minha curiosidade.

Assim sendo, do que se trata ao certo?

Juntando a neurociência e a arquitetura, o objetivo é estudar como os ambientes construídos afetam o nosso cérebro e, consequentemente, o nosso comportamento, emoções e bem-estar.

A ideia principal é que o espaço físico pode influenciar diretamente a forma como pensamos, sentimos e nos comportamos.

Os 3 elementos principais da Neuroarquitetura são:

  • Plasticidade cerebral -> O cérebro adapta-se ao ambiente físico em que estamos inseridos.
  • Estímulos sensoriais -> Luz, cores, sons, formas e texturas afetam diretamente o cérebro.
  • Conexão com a natureza -> Contacto com elementos naturais (luz solar, plantas, paisagens) tem impactos no bem-estar.

No início da newsletter eu dei o exemplo do restaurante, mas existem muitas outras áreas onde podemos aplicar estes princípios.

Hospitais, por exemplo, onde a luz natural e as áreas verdes ajudam na recuperação de pacientes.

Vejam, na imagem abaixo, o design de vários dos Maggie’s Centers (centros de apoio oncológico), no Reino Unido:

Quem é que, a precisar de ser tratado, não gostava de sê-lo num espaço assim?

Também nos escritórios modernos, a disposição dos elementos não é deixada ao acaso.

As big tech, já todas perceberam como a arquitetura dos escritórios é fulcral.

Não é por acaso que existem espaços abertos que promovem colaboração, sendo depois equilibrados com zonas de concentração silenciosa (meeting rooms e afins).

Vejam exemplos dos escritórios da google:

Até dá vontade de trabalhar…

Mesmo nas habitações comuns, as casas podem ser desenhadas para favorecer a saúde mental, com espaços arejados e iluminação pensada para o ciclo circadiano.

Os principais elementos que influenciam o cérebro são:

  • A Luz -> A luz natural sincroniza o relógio biológico e melhora o humor e a produtividade.
  • As Formas e Espaços -> Linhas curvas são associadas a conforto e segurança, enquanto espaços amplos e arejados reduzem sensações de claustrofobia, por exemplo.
  • As Cores -> Tons mais quentes, como amarelo e laranja, estimulam energia e criatividade, enquanto tons frios, como azul e verde, promovem mais a calma e o foco.

É incrível como os espaços à nossa volta nos podem influenciar tanto internamente…

Como uma simples parede branca pode provocar reações no nosso cérebro diferentes de uma parede cor-de-rosa!

Enfim, eu já comecei a mandar CV para a Google e tu?

Por hoje é tudo.

Até amanhã,

Francisco

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