Bom dia, boa tarde, boa noite!
Uma vez, em conversa, o dono de um restaurante disse-me que tinha pintado as paredes do seu restaurante de vermelho com um objetivo específico…
Esse objetivo era o de “cansar” a vista dos clientes mais rápido, para que fizessem refeições mais curtas e pudesse ter uma maior rotação das mesas, aumentando assim a faturação.
Aquilo deixou-me a pensar e… claro, fui pesquisar!
Já ouviram falar em Neuroarquitetura?
Eu também não tinha, mas pareceu-me interessante.
Bem, eu sou suspeito, porque tudo o que mexe com o cérebro suscita a minha curiosidade.
Assim sendo, do que se trata ao certo?
Juntando a neurociência e a arquitetura, o objetivo é estudar como os ambientes construídos afetam o nosso cérebro e, consequentemente, o nosso comportamento, emoções e bem-estar.
A ideia principal é que o espaço físico pode influenciar diretamente a forma como pensamos, sentimos e nos comportamos.
Os 3 elementos principais da Neuroarquitetura são:
- Plasticidade cerebral -> O cérebro adapta-se ao ambiente físico em que estamos inseridos.
- Estímulos sensoriais -> Luz, cores, sons, formas e texturas afetam diretamente o cérebro.
- Conexão com a natureza -> Contacto com elementos naturais (luz solar, plantas, paisagens) tem impactos no bem-estar.
No início da newsletter eu dei o exemplo do restaurante, mas existem muitas outras áreas onde podemos aplicar estes princípios.
Hospitais, por exemplo, onde a luz natural e as áreas verdes ajudam na recuperação de pacientes.
Vejam, na imagem abaixo, o design de vários dos Maggie’s Centers (centros de apoio oncológico), no Reino Unido:



Quem é que, a precisar de ser tratado, não gostava de sê-lo num espaço assim?
Também nos escritórios modernos, a disposição dos elementos não é deixada ao acaso.
As big tech, já todas perceberam como a arquitetura dos escritórios é fulcral.
Não é por acaso que existem espaços abertos que promovem colaboração, sendo depois equilibrados com zonas de concentração silenciosa (meeting rooms e afins).
Vejam exemplos dos escritórios da google:



Até dá vontade de trabalhar…
Mesmo nas habitações comuns, as casas podem ser desenhadas para favorecer a saúde mental, com espaços arejados e iluminação pensada para o ciclo circadiano.
Os principais elementos que influenciam o cérebro são:
- A Luz -> A luz natural sincroniza o relógio biológico e melhora o humor e a produtividade.
- As Formas e Espaços -> Linhas curvas são associadas a conforto e segurança, enquanto espaços amplos e arejados reduzem sensações de claustrofobia, por exemplo.
- As Cores -> Tons mais quentes, como amarelo e laranja, estimulam energia e criatividade, enquanto tons frios, como azul e verde, promovem mais a calma e o foco.
É incrível como os espaços à nossa volta nos podem influenciar tanto internamente…
Como uma simples parede branca pode provocar reações no nosso cérebro diferentes de uma parede cor-de-rosa!
Enfim, eu já comecei a mandar CV para a Google e tu?
Por hoje é tudo.
Até amanhã,
Francisco

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