Boa noite!!
E assim começou mais uma semana.
No meu caso, com uma loooonga segunda-feira.
Para começar em grande, hoje vou tentar descodificar um dos temas mais em voga.
Toda a gente fala em Inteligência Artificial (IA), neste momento.
Apesar disso, segundo a minha experiência, a grande maioria das pessoas não sabe ao certo responder à pergunta direta: “O que é a IA?”.
Eu próprio, que fiz uma tese de mestrado sobre isso, tenho por vezes dificuldade.
Assim sendo, vamos lá desmistificar o tema…
Em primeiro lugar, a IA está longe de ser um tema recente!
O primeiro grande marco da IA (embora ainda não existisse essa denominação), foi em 1950.
Nesse ano, Alan Turing vê o seu artigo “Computing Machinery and Intelligence” publicado na “Mind”, uma revista de filosofia.
É nesse artigo que Turing faz a pergunta que deu o pontapé de saída ao estudo desta nova área: “Can Machines Think?”
É também aí que é descrito, pela primeira vez, aquele que mais tarde ficaria conhecido como o “Teste de Turing”.
Este teste consistia num jogo, o “Imitation Game”, onde uma máquina seria avaliada pela sua capacidade de responder a perguntas de forma indistinguível de um humano.
Neste jogo, existe um interrogador, que faz as mesmas perguntas a um humano e a uma máquina.
Para cada pergunta, recebe uma resposta de cada.
Turing concluia que, caso não fosse possível para o interrogador conseguir distinguir de quem vinha cada resposta, então a resposta à pergunta “Can Machines Think?” era afirmativa.
O objetivo era desviar o foco da pergunta filosófica “podem as máquinas pensar?” para uma abordagem prática:
“Pode uma máquina agir como se pensasse?“
Entretanto, poucos anos depois, em 1956, deu-se a Conferência de Dartmouth.
Esta conferência é hoje considerada o nascimento oficial da IA como conceito de estudo.
A conferência contou com ilustres como John McCarthy (que cunhou o termo “IA”), Marvin Minsky e Claude Shannon.
Juntos discutiram como fazer as máquinas “simular a inteligência humana”.
Nas décadas subsequentes, deu-se o chamado “Inverno da IA”, que mais não foi que a ausência de progresso na área.
Isto aconteceu devido, essencialmente, à falta de poder computacional e, consequentemente, à falta de investimento.
Fazendo fast forward, nos últimos anos assistimos à democratização da IA.
Hoje em dia, todos nós temos um Large Language Model na ponta do dedo, pronto a dar-nos todas as respostas de que precisamos.
Mas então, que fatores permitiram que tal acontecesse?
A resposta prende-se em 2 pilares fundamentais, existindo outros, com menos relevância.
Estes 2 pilares são: a disponibilidade de dados e a evolução do poder computacional (que permitiu coletar, armazenar e analisar esses mesmos dados).
Estas foram as mais importantes evoluções que permitiram que todos nós tenhamos um ChatGPT na mão, a qualquer hora.
Nesta altura, devem estar a questionar-se “Ok, muita história, mas ainda não percebi ao certo o que é a IA”
Então vamos lá…
Já todos ouvimos que a IA vai permitir a automação disto e daquilo.
No entanto, a IA vai permitir (e já permite) muito mais que simples automações.
Antes da IA, nós já fazíamos automações de máquinas, basta pensar nas máquinas fabris.
O que a IA realmente traz de novo é a possibilidade de uma máquina analisar dados por si própria antes de executar, tomando assim decisões de forma autónoma!
Vamos a um exemplo prático:
Imaginemos um sistema que automatiza a abertura e o fecho de uma janela.
Vamos assumir que a janela é comandada por um algoritmo.
E que esse algoritmo está programado para abrir a janela quando estão mais de 20ºC, e para fechá-la quando estão 20ºC ou menos.
Ora, para fazer esta automação não é de todo necessária IA.
Basta ter um sensor e, através de código, programar essa automação.
No entanto, se quisermos um sistema que aprenda quando abrir ou fechar a mesma janela, tendo em conta os nossos hábitos e outros fatores (como vento, hora do dia e preferências pessoais), o caso muda de figura.
Nesse caso, já precisamos de uma máquina que aprenda, tal e qual como nós aprendemos.
E é muito mais útil, porque o algoritmo vai conseguir replicar o nosso comportamento, de forma muito mais precisa e ajustada às preferências individuais.
Outro exemplo são os chatbots.
Os chatbots de muitas empresas têm respostas predefinidas para qualquer que seja a pergunta.
É o exemplo do clássico “Obrigado pela sua mensagem, um dos nossos agentes irá responder-lhe assim que possível”.
Já se fosse, por exemplo, o ChatGPT, responderia de acordo com o nosso input.
Porquê? Porque através da análise anterior de milhões de conversas e textos, consegue identificar padrões e construir uma resposta informada e que faça sentido.
Aliás, essa análise é o que lhe permite aprender como e o que responder.
É como se fosse um bebé nos primeiros anos de vida que ouve milhares de conversas e aprende a comunicar verbalmente.
Agora que exemplifiquei, e para fechar, vamos a uma definição leiga do conceito de AI.
A minha definição, sem detalhes técnicos, seria…
A Inteligência Artificial é quando se ensina, através da experiência passada (dados), os computadores a aprenderem e a fazerem coisas sozinhos, como resolver problemas, conversar ou jogar.
No fim, é como dar um “cérebro” às máquinas para elas nos ajudarem em tarefas do dia-a-dia.
Podia entrar em muito mais detalhes…
Mas acho que esta já é uma boa base de começo.
E como o email já vai longo, hoje ficamos por aqui!
Amanhã à mesma hora.
Abraço,
Francisco

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