149# De médico a revolucionário marxista

Hoje vou falar-te de um homem que nasceu na Argentina, ficou famoso em Cuba, lutou no Congo, esteve escondido na Tanzânia e na Checoslováquia e que morreu na Bolívia.

Consegues advinhar de quem se trata?

Talvez precises de mais uma pista: o seu nome primeiro nome era Ernesto!

Se ainda não chegaste lá, garanto-te que conheces a personagem. 

Eis um pouco da sua história…

Nascido na Argentina, em 1928, numa família de classe média de ascendência espanhola e irlandesa, destacou-se como um atleta resiliente e um estudante brilhante, apesar da asma severa que o acompanhou toda a vida.

Formou-se em Medicina em 1953, mas a sua curiosidade e determinação fê-lo fugir dos consultórios. 

As suas viagens de juventude pela América Latina, documentadas em Diários de Motocicleta, foram o catalisador da sua transformação política.

Ao observar a pobreza extrema das massas, concluiu que a reforma gradual era impossível. 

Para ele, a única solução residia na revolução armada e numa estratégia que unisse todo o continente sul americano.

Em 1953, chegou à Guatemala, onde o governo de Jacobo Arbenz tentava implementar reformas sociais profundas. Foi nesta época que recebeu a alcunha pela qual ficou conhecido, devido ao vício de linguagem tipicamente argentino.

A queda de Arbenz em 1954, num golpe apoiado pela CIA, marcou profundamente o resto da sua vida e a forma de encarar o mundo. 

Este evento convenceu-o de que os EUA seriam sempre um obstáculo a governos de esquerda, solidificando o seu compromisso com o Marxismo.

Exilado no México, conheceu Fidel e Raúl Castro, que planeavam o derrube de Fulgencio Batista em Cuba. 

Juntou-se ao Movimento 26 de Julho como médico, mas rapidamente passou para o uso de armas.

Em 1956, foi um dos 81 homens que desembarcaram na província de Oriente na ilha de Cuba. 

Quase dizimados pelo exército Batista, os sobreviventes refugiaram-se na Sierra Maestra, formando um núcleo de guerrilha.

Entretanto, tornou-se um dos comandantes mais fidedignos de Fidel Castro. 

Embora fosse um médico, em tempos de guerra atuou como executor de desertores e traidores para manter a disciplina rebelde.

Após a vitória do movimento pelo qual lutava em 1959, assumiu a supervisão da prisão de La Cabaña. 

Lá, coordenou as execuções daqueles que o novo regime considerava inimigos da revolução, um dos períodos mais controversos da sua vida.

Ocupou cargos de enorme responsabilidade, como ministro da Indústria e presidente do Banco Nacional. 

Defendeu fervorosamente o conceito do “homem novo”, movido pelo dever moral e não pelo lucro. 

Para provar o seu ponto, dormia frequentemente no escritório e trabalhava no corte da cana de açúcar nos seus dias de folga.

No entanto, como tantas vezes acontece, a sua visão começou a colidir com a realidade geopolítica. 

Sentiu-se traído quando a União Soviética retirou mísseis de Cuba em 1962 sem consultar os líderes locais. Isto fê-lo aproximar-se do modelo chinês de Mao Zedong.

Ele teorizou, também, sobre o “foquismo”, a ideia de que um pequeno grupo de guerrilha poderia criar as condições para uma revolução nacional. 

Decidido a exportar este modelo, desapareceu da vida pública cubana em 1965.

A sua primeira paragem, soube-se mais tarde, foi para o atual Congo, onde tentou, sem sucesso, ajudar o Batalhão Patrice Lumumba na guerra civil que assolava o país. 

Após o fracasso da missão, viveu escondido na Tanzânia e na antiga Checoslováquia, antes de regressar à América do Sul.

Em 1966, chegou à Bolívia irreconhecível, careca e sem barba, para iniciar uma nova frente de combate. 

No entanto, o seu grupo encontrou forte resistência do exército boliviano, que contava com o apoio técnico e estratégico da CIA.

A 8 de outubro de 1967, foi ferido e capturado num confronto em La Higuera. No dia seguinte, foi executado por ordem do exército boliviano, e o seu corpo foi fotografado para provar a sua morte ao mundo.

Para garantir a identificação legal, as suas mãos foram cortadas e preservadas em formaldeído

Os seus restos mortais só foram descobertos numa vala comum em 1997, altura em que foram transladados para Cuba.

Hoje, o legado de Ernesto Guevara de la Serna, mais conhecido por Che Guevara, permanece em disputa. 

Para uns, é o símbolo romântico da resistência e do sacrifício. 

Para outros, um líder implacável cujo rosto em t-shirts é apenas uma ironia do capitalismo que ele tentou destruir.

De qualquer forma, foi, sem sombra de dúvida, uma figura incontornável na história sul americana do século XX. 

E tu, já conhecias a sua história?

Por hoje é tudo.

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Até quarta,

Francisco

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