145# És manipulado pela fotografia?

Existe um tema que tenho tido vontade de explorar nos últimos tempos, por uma razão simples…

Quem não o entende, vai sempre ser manipulado!

Cada vez que nos é exposta uma história, um acontecimento, uma explicação, há sempre uma intenção subjacente que olhemos para ela de uma determinada forma.

Um exemplo super básico: um Curriculum Vitae (CV).

Quando fazemos o nosso CV, estamos a mostrar uma fotografia do nosso percurso.

Andámos na universidade X, trabalhámos na empresa Y, participámos no projeto Z…

Mas nunca lá metemos as cadeiras que chumbámos na faculdade ou aquele erro grave que cometemos num projeto importante.

Por uma razão simples…

Nós queremos convencer quem lê o nosso CV de que temos um conjunto de competências e experiências e omitimos propositadamente aquilo que correu mal para que não sejamos prejudicados.

Ora, o que acontece é que nós mostramos a nossa melhor “fotografia”…

O nosso melhor frame!

Frame é a palavra chave desta newsletter.

Sempre que vemos um vídeo, ouvimos uma história ou observamos uma fotografia, tudo aquilo que vemos é o que o emissor quer que vejamos.

A pergunta é: “O que ficou por mostrar?”

Pode parecer uma perspectiva céptica, e é verdade que se fizermos sempre esta pergunta vamos viver bastante mais inquietos.

É a questão de sempre… preferimos saber a verdade ou viver na ignorância?


Enquanto humanos temos uma série de vieses cognitivos, entre eles o da confirmação, que nos leva a apenas questionar quando se trata de algo que vai contra aquilo em já acreditamos.

Isso faz com que muitas vezes ‘engolamos’ tudo aquilo que nos dizem se confirmar algo em que previamente já acreditamos.

Mas tudo na vida tem prós e contras.

Lado mais positivos e negativos.

E é por isso que questionar o frame é tão imprescindível se queremos chegar à verdade dos factos.

Os políticos escolhem o frame que dão às suas políticas. Os marketers escolhem o frame dos seus produtos. Nós escolhemos o frame das fotografias que metemos nas nossas redes sociais.

Quando lemos um livro, estamos a sob a lente – ou seja, o frame – do autor.

Há sempre algo que não estamos a ver. Umas vezes mais outras vezes menos.

é o frame que cria as tão famosas narrativas.

E isto traz-nos um problema grande…

Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade?

Factualmente, não. Mas na perceção geral pode tornar-se.

E é isso que acontece quando um frame específico, manipulado e irreal, é amplamente difundido sem contraditório.

Os maiores manipuladores são aqueles que conseguem que o seu frame seja massivamente adotado, independentemente da sua veracidade.

Hitler conseguiu impor a imagem – o frame – dos judeus como os causadores de todos os males dos alemães.

Lenine conseguiu impor a ideia – novamente, o frame –  de que os burgueses eram os opressores dos operários e deveriam ser castigados.

É por isso que o espírito crítico é tão importante.

Concordar ou discordar pavlovianamente de algo é confortável, mas ignorante.

Se quisermos evitar ser manipulados temos que adotar uma atitude de questionamento constante.

Por outro lado, se queremos convencer os outros das nossas teses, temos que ter um frame poderoso.

No fim, há sempre alguém que controla o frame nas interações humanas😉

Talvez volte a este tema nas próximas semanas…

Até lá, fiquem com este artigo e este vídeo que utilizei na minha pesquisa.

Por hoje é tudo.

Até quarta,

Francisco

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