Boa noite!
Já pensaram no quão difícil é, hoje em dia, aborrecermo-nos?
Os ecrãs estão sempre lá para nos salvar.
Num estudo, em 2014, foi pedido a pessoas que ficassem sozinhas com os seus pensamentos, sem fazer absolutamente nada, durante 15 minutos.
A única distração disponível era um botão que dava um choque elétrico.
Quase metade dos participantes carregou no botão, e um homem chegou a fazê-lo 190 vezes, apesar de antes ter afirmado que pagaria para evitar esse choque.
Os autores concluíram que “as pessoas preferem fazer a pensar”, mesmo que a única ação disponível seja dolorosa.
Talvez porque, deixada a vaguear, a mente tende a seguir caminhos indesejados ou que há tempos que andamos a evitar.
O estudo reflete bem o ponto.
Olhemos para o sentimento de estar aborrecido como ter fome ou sede. Se nunca os tivermos, convenhamos, é mau sinal.
No entanto, a verdade é que hoje em dia é muito raro termos o sentimento de aborrecimento.
Imaginam viver sem nunca sentir fome ou sede? Provavelmente não, são esses os sentimentos que nos permitem saborear uma refeição ou uma bebida.
Por isso, o aborrecimento é algo que deve ser cultivado.
Só se o sentirmos poderemos ter uma perspetiva clara sobre o que são sentimentos como a diversão ou o entusiasmo.
Quando toco neste tema lembro-me sempre dos meus avós.
Eles vivem no campo, e se for preciso são capazes de se sentar numa cadeira à porta de casa a ver os carros passar durante 3h seguidas.
Para 99,9% das pessoas que estão a ler isto, isso é totalmente impossível.
Por ter chegado a todas estas conclusões, tenho feito um exercício, desde há 1 mês para cá.
O exercício consiste em, quando me deito à noite, ficar a olhar para o nada durante 5 minutos, sem fazer absolutamente nada. Só a deixar os pensamentos fluir.
A verdade é que ao início me custou um bocado, mas agora já faço 10, em vez de apenas 5 minutos.
E, de certa forma, parece que encontrei um certo prazer em fazê-lo. É como se fosse um escape ao estímulos constantes do dia-a-dia.
Os italianos chamam-lhe “il dolce far niente” – a doçura de não fazer nada.
Mais do que “matar o tempo”, significa deixar ir e valorizar o ser, não apenas o fazer.
Tal como as pausas tornam a música bela, estes momentos dão ao cérebro o descanso necessário para recuperar e voltar mais produtivo.
E vocês? Já se tinha debruçado sobre este tema?
Deixo-vos ainda o vídeo que despoletou o meu interesse sobre este assunto e, consequentemente, lançou o tema desta newsletter!
Por hoje é tudo.
Até quarta,
Francisco

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