132# Indostão: o mapa de uma chegada

Olá!

A semana passada, pela primeira vez, escolhi 3 temas que me interessavam e pus à escolha dos seguidores do Aprende algo antes de dormir no Instagram por votos.

O Subcontinente indiano / Indostão foi o tema mais votado e, por isso, estás a ler sobre ele neste momento.

A razão pela qual tenho interesse em escrever sobre este tema é relativamente simples.

Como é conhecimento de todos, nos últimos anos Portugal tem recebido uma quantidade avultada de imigrantes provenientes do sul da Ásia. E, para generalizar, grande parte das pessoas refere-se a estes imigrantes como sendo do Indostão.

Isto faz-me alguma comichão, confesso.

Por uma razão simples: imaginem que seria ao contrário, que havia um fluxo grande de emigração da Europa para o sul da Ásia. Seria correto falar em europeus como se fossemos todos iguais?

Acho que podemos todos concordar que, apesar dos pontos comuns, como a matriz cristã, um português é bastante diferente, culturalmente falando, de um francês ou de um holandês.

Por essa razão, acho que é importante termos a sensibilidade de distinguir minimamente os diferentes países de onde são provenientes estes imigrantes, ao invés de os metermos a todos numa grande caixa, onde não existem diferenças culturais.

Claro que, se fosse fazer uma análise cultural exaustiva dos países que compõem o Indostão, teria que escrever vários livros.

O objetivo desta newsletter é apenas dar um pequeno enquadramento de coisas básicas sobre o tema, de forma a que possamos aprender algo antes de dormir.

Posto isto, talvez convenha começar por responder à mais básica das perguntas: qual a origem do termo?

Não, a palavra não vem do Hinduismo, se era isso que estavam a pensar. 

A palavra Indostão nasce do rio Indo. Nas línguas antigas chamava-se Sindhu. Este rio fica no que hoje é o Paquistão, atravessa o país de norte para sul e desagua no mar Arábico. 

Os persas passaram a dizer Hindu e juntaram stān, que quer dizer terra. Ficou Hindustān, a terra do Indo.

Quando falamos do “subcontinente indiano”, ou Indostão (embora não sejam exatamente o mesmo, para efeitos práticos vamos assumir que sim), falamos de uma grande península separada do resto da Ásia por montanhas altas a norte e rodeada de mar a sul. 

Costuma incluir Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal, Sri Lanka, Butão e até as Maldivas.

Vou deixar-vos, então, um pequeno cheirinho sobre cada um deles para que percebam como estes países são diversos (até dentro de si próprios)…

Índia
É o país mais populoso do mundo. Com quase 1,5 mil milhões de habitantes de habitantes (mais do triplo da UE) e dimensão continental, a Índia é um mosaico de línguas (22 oficiais) e religiões (6 representativas). É maioritariamente hindu (embora tenha grandes comunidades muçulmanas) e a capital é Nova Deli.

Paquistão
Com cerca de 250 milhões de pessoas (mais que o Brasil, embora 10x mais pequeno), divide-se em regiões com identidades bastantes diversas como Punjab, Sindh, Khyber Pakhtunkhwa e Balochistão. É maioritariamente muçulmano (mais de 96% da população), a sua língua institucional é o inglês, embora a mais utilizada seja urdu. A sua capital oficial é Islamabad.

Bangladesh
Com mais de 170 milhões de habitantes (mais do dobro que o país mais populoso da UE, a Alemanha) numa área relativamente pequena, tem uma das maiores densidades populacionais do mundo. A maioria da população é muçulmana e língua falada é bengali.

Nepal
Entre a planície quente do Terai (fronteira a sul com a Índia) e os Himalaias (fronteira a norte com a China) onde se ergue o Evereste, o Nepal tem como capital Catmandu. A maioria é hindu, existem comunidades budistas relevantes, uma tradição indígena chamada Kirat, e Lumbini (uma região do país) é tradicionalmente assinalado como o local de nascimento de Buda.

Sri Lanka
A República Democrática Socialista do Sri Lanka (nome completo do país desde 1978) é maioritariamente budista. Tem dois grandes grupos linguísticos: cingaleses (maioria) e tâmeis (sobretudo no norte e leste). Apesar de ser mais pequeno que Portugal, tem cerca do dobro da população (quase 22 milhões de pessoas).

Butão
Pequeno e montanhoso, com menos de 1 milhão de habitantes, é conhecido por medir progresso para lá do PIB através da ideia de “Felicidade Interna Bruta”. A maioria é budista e o país mantém fortes políticas de conservação, sendo frequentemente citado como carbono-negativo. A sua língua oficial é dzongkha.

Maldivas
Apesar de todos a conhecermos por ser um destino de férias paradisíaco, faz parte do subcontinente indiano! É um arquipélago de cerca de 1.200 ilhas no Índico, com população pequena e tem o Islão sunita como religião oficial. É o país com menor altitude média do mundo!

Embora só tenha referido alguns factos sobre cada país, acho que a ideia de que cada um deles é único e idiossincrático ficou bem clara.

E espero ter acrescentado um pouco à vossa cultura geral, para que possam, numa próxima conversa, parecerem mentes extremamente brilhantes 😉

Deixo-vos ainda um pequeno vídeo de 2 minutos que explica a origem do “Indostão” de uma forma animada, e outro, na minha opinião mais interessante, sobre a história da fronteira entre a Índia e o Paquistão.

Deem ainda uma vista de olhos no instagram do projeto, onde tenho feitos novas publicações diariamente, incluindo vídeos com reflexões ou factos curiosos!

Por hoje é tudo.

Até quarta,

Francisco

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Torna-te naquela pessoa que tem sempre algo interessante para partilhar.

2 responses

  1. imigrantes*

    1. Obrigado pela correção!
      Abraço

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