81# Michelin: Dos pneus à alta gastronomia

Hello!

Hoje decidi investigar como é que uma empresa de pneus se tornou a detentora do mais conceituado ranking de pratos de comida.

Quando se pensa na Michelin, duas imagens surgem de imediato: pneus e estrelas gastronómicas (pelo menos para mim).

Mas como é que uma marca de pneus se tornou na mais respeitada autoridade mundial na avaliação de restaurantes?

No final do século XIX, os irmãos André e Édouard Michelin tinham um problema: vender pneus num país onde existiam menos de 3.000 automóveis. 

Para impulsionar o uso de carros e, consequentemente, aumentar as vendas de pneus, criaram o Guia Michelin.

A primeira edição, lançada em 1900, fornecia informações essenciais para os condutores, como locais para abastecer, reparar o carro e dormir. 

O guia foi inicialmente distribuído gratuitamente, mas tornou-se um sucesso tão grande que os irmãos decidiram começar a vendê-lo.

O Guia Michelin ajudou a aumentar a confiança na condução e encorajou o turismo automóvel. 

Com o tempo, as suas recomendações de restaurantes passaram a ter um impacto significativo na escolha dos viajantes.

Nos anos 1920, a Michelin introduziu um sistema de classificação, atribuindo estrelas a restaurantes que se destacavam pela sua qualidade. Para garantir imparcialidade, começaram a enviar avaliadores anónimos, conhecidos como inspetores.

Desde então, o sistema evoluiu, mas as classificações estabelecidas nos anos 30 permanecem: uma estrela significa que o restaurante é “merecedor de uma paragem”, duas estrelas são “vale a pena um desvio” e três estrelas indicam que o local é “digno de uma viagem especial”.

Hoje, um restaurante premiado com uma estrela Michelin pode mudar o seu destino. Muitos estabelecimentos veem as suas reservas disparar de um dia para o outro após receberem a distinção.

Aconteceu, por exemplo, com o restaurante Marlene, que ganhou uma estrela à pouquíssimo tempo.

O processo de avaliação continua altamente secreto. Os inspetores nunca revelam a sua identidade e seguem rigorosos critérios, garantindo que a qualidade é mantida ao longo do tempo.

Se um restaurante não mantiver o padrão, pode perder a sua estrela. Esta pressão constante tem levado alguns chefs a rejeitarem a distinção, devido ao stress envolvido.

Apesar das críticas, a Michelin continua a ser um dos padrões mais altos de reconhecimento gastronómico. 

Engraçado perceber que, o que começou como uma ferramenta de marketing para vender pneus, tornou-se num selo de excelência na restauração mundial.

Este vídeo explica a história em maior detalhe, se tiverem interesse.

Por hoje é tudo.

Até amanhã,

Francisco

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