78# Pinochet: um herói ou um vilão?

Boa noite!

Antes de irem de fim de semana, senti que precisavam de uma aulinha de história.

Desta vez, vamos até ao Chile. Mais especificamente, até o seu mais cruel ditador.

Augusto Pinochet foi um dos líderes mais controversos da América Latina. 

Comandou o Chile entre 1973 e 1990, após um golpe militar que derrubou Salvador Allende, o primeiro presidente marxista eleito democraticamente no mundo.

O golpe, realizado em 11 de setembro de 1973, foi violento e marcou o início de uma ditadura militar.

O Palácio de La Moneda foi bombardeado, e Allende morreu no seu interior, num episódio até hoje envolto em mistério e debate.

O regime de Pinochet ficou marcado por repressão política, censura e milhares de violações dos direitos humanos. 

O governo criou a DINA (Dirección de Inteligencia Nacional), polícia secreta responsável por perseguições, torturas e desaparecimentos forçados.

Estima-se que mais de 3.000 pessoas tenham sido mortas ou desaparecidas durante a ditadura. Outras dezenas de milhares foram presas, torturadas ou forçadas ao exílio, num clima de medo e controlo absoluto.

Ao mesmo tempo, o Chile passou por reformas económicas profundas. 

Com o apoio de economistas conhecidos como os “Chicago Boys”, inspirados na escola de Milton Friedman, adotou um modelo neoliberal que impulsionou o crescimento económico.

As privatizações, a redução do papel do Estado e a abertura ao mercado internacional transformaram a economia chilena. 

O país cresceu rapidamente, mas a desigualdade aumentou, deixando muitos setores da população à margem do desenvolvimento.

Em 1988, um referendo determinou o fim da sua ditadura. A maioria da população votou pelo “Não”, rejeitando a continuidade do regime e abrindo caminho para a redemocratização do Chile.

Apesar da derrota nas urnas, Pinochet garantiu imunidade e manteve-se como comandante das Forças Armadas até 1998. 

Nesse mesmo ano, foi detido em Londres, a pedido da justiça espanhola, sob acusações de crimes contra a humanidade.

A sua prisão gerou uma crise diplomática e reacendeu o debate sobre a impunidade de antigos ditadores. Após mais de um ano de batalha judicial, foi libertado por razões de saúde e regressou ao Chile, onde continuou a enfrentar processos sem nunca ser condenado.

Morreu em 2006, aos 91 anos, sem nunca ter cumprido pena pelos crimes cometidos durante o seu governo. 

Até hoje, a sua figura divide os chilenos, entre os que o veem como um ditador cruel e os que o consideram um modernizador do país (a verdade deve andar entre os dois).

Se for do vosso interesse, deixo-vos dois vídeos sobre esta personagem histórica – um mais curto e um documentário.

Por hoje é tudo.

Até segunda,

Francisco

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