Olá!
Como estamos hoje? Sexta-feira, dia santo, dizem.
Não tenho bem a certeza se vão ler isto e dormir, ou se vão, antes, beber um copo.
Independentemente disso, hoje falo-vos do porquê dos dias da semana terem o nome que têm.
Tema, aliás, sobre o qual nunca me tinha debruçado, até hoje.
Espero que vocês também não…
A origem dos nomes dos dias da semana.
Os nomes dos dias da semana que usamos atualmente têm origens que remontam à Antiguidade.
Foram influenciados por diferentes culturas, particularmente pela tradição romana e, mais tarde, pela cristianização da Europa.
Originalmente, os romanos dedicaram cada dia da semana a um dos sete corpos celestes visíveis a olho nu: o Sol, a Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vénus e Saturno.
Estes corpos celestes estavam, por sua vez, associados a divindades da mitologia romana.
Esta associação refletia a importância que estas civilizações atribuíam aos astros e às suas influências na vida quotidiana.
No sistema romano, os dias eram nomeados da seguinte forma:
Domingo → Dies Solis (dia do Sol)
Segunda → Dies Lunae (dia da Lua)
Terça → Dies Martis (dia de Marte)
Quarta → Dies Mercurii (dia de Mercúrio)
Quinta → Dies Iovis (dia de Júpiter)
Sexta → Dies Veneris (dia de Vénus)
Sábado → Dies Saturni (dia de Saturno)
Para os romanos, a semana começava com o Dies Solis (o dia do Sol, correspondente ao nosso domingo).
Assim, o Dies Lunae (dia da Lua) era o segundo dia da semana, o que corresponde à nossa segunda-feira.
Mas então, porque é que em português se chama segunda-feira?
Na nossa língua, os nomes dos dias da semana sofreram uma grande alteração em relação aos nomes romanos originais.
Quando o cristianismo se estabeleceu como a religião dominante, houve uma tentativa de remover as referências pagãs dos dias dedicados a deuses romanos.
(Se te estás a perguntar o que são referências pagãs: De acordo com a Bíblia, o pagão é descrito como aquele que não adora o Deus verdadeiro, mas sim “falsos deuses” que desviam as pessoas para um caminho de pecados.)
Em vez disso, a Igreja Católica adotou uma nomenclatura baseada na sequência dos dias após o domingo, que era considerado o “Dia do Senhor” (Dies Dominicus).
Assim, em português, os dias passaram a ser numerados:
- Segunda-feira (segundo dia, após o domingo)
- Terça-feira (terceiro dia, após o domingo)
- Quarta-feira (quarto dia, após o domingo)
- Quinta-feira (quinto dia, após o domingo)
- Sexta-feira (sexto dia, após o domingo)
Os únicos dias que mantiveram nomes de origem antiga foram o sábado e o domingo:
- Sábado vem de “sabbatum”, do hebraico “shabbat”, o dia de descanso judaico.
- Domingo vem de “Dies Dominicus”, o dia dedicado ao Senhor, refletindo a sacralidade deste dia no contexto cristão.
É interessante perceber como nós, no nosso jardim à beira mar plantado, fomos dos poucos, se não os únicos, que mudámos a lógica proveniente do latim.
Reparem que em línguas como o francês e o espanhol, os nomes mantiveram-se mais próximos da base latina original:
- Em francês, temos “lundi” (Lunae dies), “mardi” (Martis dies), “mercredi” (Mercurii dies), “jeudi” (Iovis dies) e “vendredi” (Veneris dies).
- Em espanhol, os dias são “lunes” (Lunae dies), “martes” (Martis dies), “miércoles” (Mercurii dies), “jueves” (Iovis dies) e “viernes” (Veneris dies).
Em suma, os nomes dos dias da semana em português são um testemunho da influência histórica da Igreja e da tentativa de despaganizar a cultura europeia durante a Idade Média.
Enquanto outras línguas mantiveram referências diretas a divindades romanas, o português adotou uma abordagem mais pragmática e religiosa, centrada na sequência dos dias a partir do domingo, o dia do Senhor.
A conversa não acaba aqui. Responde e diz-me se também terias alterado os nomes 😉
Por hoje é tudo, volto Dies Lunae.
Bom fim-de-semana!

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