Boa noite!
Há uns tempos, num livro, ouvi pela primeira vez falar na rede de espionagem judaica “Nili”.
Apontei no telemóvel como possível tema para a newsletter.
E aqui vamos nós…
A “Nili Jewish Espionage Network” (Rede de Espionagem Judaica Nili) foi uma rede de espionagem formada durante a Primeira Guerra Mundial por um pequeno grupo de judeus palestinianos.
O objetivo principal era auxiliar os britânicos a derrotar o Império Otomano e, em troca, facilitar a criação de um lar nacional judaico na Palestina.
A sigla “NILI” deriva de uma frase hebraica das Escrituras: “Netzach Yisrael Lo Yeshaker”, que significa “A Glória de Israel não mente” (1 Samuel 15:29).
Para dar algum contexto, no início do século XX, a Palestina fazia parte do Império Otomano, e a comunidade judaica local, que incluía pioneiros sionistas, enfrentava condições difíceis sob o governo otomano.
Muitos judeus eram vistos com suspeita pelos otomanos devido à sua ligação com o movimento sionista e ao apoio ao Reino Unido.
Com o eclodir da Primeira Guerra Mundial, os britânicos tornaram-se uma força significativa contra os otomanos, e os líderes da NILI decidiram colaborar com os Aliados para acelerar a queda do Império Otomano.
Essencialmente, os membros da NILI forneceram informações detalhadas aos britânicos sobre a movimentação de tropas otomanas, infraestruturas estratégicas e outros alvos de interesse militar.
Utilizavam métodos sofisticados para a época, incluindo mensagens cifradas e pombos-correio, para transmitir dados às forças britânicas no Egito.
A NILI estabeleceu contacto direto com os serviços de inteligência britânicos no Egito, nomeadamente com o General Edmund Allenby, que liderava a campanha militar no Médio Oriente.
Durante a Grande Fome que assolou a Palestina (1915-1917), a NILI canalizou ajuda financeira e material para os colonos judeus, aproveitando os contactos com os britânicos.
Em 1917, as atividades da NILI foram descobertas pelos otomanos, que reagiram com violência.
Sarah Aaronsohn, irmã do principal líder e estratega da rede, foi capturada e brutalmente torturada. Antes de revelar informações críticas, suicidou-se para proteger os seus camaradas.
Vários outros membros foram executados ou presos. As aldeias judaicas que apoiavam a rede enfrentaram represálias severas.
As informações recolhidas ajudaram os britânicos a planear e executar a bem-sucedida Campanha do Sinai e da Palestina, que levou à queda do domínio otomano.
A rede tornou-se um símbolo do compromisso sionista com o estabelecimento de um lar judaico na Palestina, que culminou com a Declaração Balfour de 1917.
A coragem dos membros da NILI é lembrada em Israel como um exemplo de sacrifício e dedicação à causa nacional.
A NILI permanece uma das redes de espionagem mais notáveis da história do movimento sionista e um marco na luta pela autodeterminação judaica na Terra de Israel.
Não tendo encontrado nenhum vídeo relevante, deixo-vos esta página, caso tenha mais curiosidade sobre o tema.
Por hoje é tudo.
Até amanhã,
Francisco

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