Boa noite!
Quantos de nós já fizemos coisas que sabemos que não são as mais acertadas, ainda antes de as fazermos?
A resposta certa é: todos nós.
E a verdade é que nos acontece mais regularmente do que nos apercebemos.
Hoje vou falar-vos de um fenómeno chamado Dissonância Cognitiva (DC).
A DC é um conceito da psicologia social introduzido por Leon Festinger, em 1957, através de um livro com esse mesmo nome.

Este conceito refere-se ao desconforto interno quando temos dois pensamentos que entram em conflito ou quando o nosso comportamento não combina com o que acreditamos ou pensamos ser certo.
Ou seja, a base da DC é essa inconsistência entre pensamentos com outros pensamentos ou pensamentos com ações:
- Pensamentos com ações -> acreditamos que fumar faz mal e ainda assim fumamos. Ou, acreditamos que a alimentação saudável é importante, mas continuamos a comer fast food regularmente.
- Pensamento com pensamento -> acreditamos que a honestidade deve estar acima de tudo e que mentir é errado. Ao mesmo tempo, acreditamos que às vezes mentir é necessário para evitar magoar os sentimentos de alguém.
Quando a DC ocorre, as pessoas podem experienciar uma sensação de tensão, raiva ou ansiedade, o que leva até, em casos extremos, a um desconforto físico.
Nestes casos, existem 4 reações comuns que adotamos. Vamos pegar no exemplo de alguém que acredita que fumar faz mal mas que, ainda assim, fuma:
- Modificação da crença -> “Os efeitos do fumo não são tão maus como dizem.”
- Adição uma nova crença justificativa -> “Fumar é prejudicial, mas ajuda a aliviar o stress, e isso também é importante para a saúde.
- Redução da importância do conflito -> “Eu sei que fumar faz mal, mas não interessa, vamos todos morrer de qualquer maneira.”
- Alteração do comportamento -> Parar de fumar para alinhar o comportamento com a crença.
Fazemos isto porque o nosso cérebro está sempre a tentar manter a coerência entre o que pensamos e o que fazemos.
Quando há uma contradição, o desconforto força-nos a ajustar uma das partes (ou o nosso pensamento ou o nosso comportamento) para sentirmos que as coisas fazem sentido novamente.
A meu ver, esta sensação de desconforto acaba por ser positiva, na medida em que nos alavanca no sentido de alinharmos as nossas ações com os nossos valores.
E tu? Qual a tua maior dissonância cognitiva?
Deixo-vos ainda este vídeo elucidativo que me ajudou a escrever esta newsletter 😉
Por hoje é tudo.
Até amanhã,
Francisco

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