Boa noite!
Antes de o fim de semana chegar, escrevo-vos sobre uma personagem sobre quem já ouvi várias referências, mas cuja história nunca conheci.
O seu nome é Malcom Little, mais conhecido por Malcom X.
Nascido em 1925, em Omaha, Nebraska, foi um destacado líder dos direitos civis e ativista afro-americano.
Ficou essencialmente conhecido pela sua defesa do empoderamento negro, da autodefesa e da unidade pan-africana, embora, como veremos, tenha sido muito mais que isso.
O pai de Malcolm, Earl Little, era um fervoroso apoiante do movimento nacionalista negro liderado por Marcus Garvey e sofreu frequentemente ameaças de grupos supremacistas brancos.
Em 1931, ele morreu, em circunstâncias suspeitas, o que marcou profundamente a família, especialmente Malcom.
Após a institucionalização da mãe, viveu em lares de acolhimento, abandonou os estudos e acabou por envolver-se em crimes roubo, o que o levou à prisão, condenado a uma pena de 10 anos, saindo após 6, por bom comportamento.
Duranto o encarceramento, Malcom mudou radicalmente.
Tornou-se um leitor acérrimo e converteu-se ao islamismo, juntando-se à Nação do Islão (Nation of Islam, NOI), o que marcou o início da sua trajetória como líder e ativista.
Quando foi libertado, adotou o nome Malcolm X, simbolizando o desconhecimento da sua verdadeira ancestralidade africana e rejeitando o sobrenome Little, que associava à escravatura.
Um ano depois da sua libertação, em 1953, tornou-se uma figura proeminente como ministro (minister, em inglês) e porta-voz da NOI.
Era conhecido pela sua oratória poderosa e pela defesa de uma postura de autossuficiência e separação da sociedade branca.
Começando por trabalhar em estreita colaboração com Elijah Muhammad, o líder da NOI, rapidamente demonstrou um talento notável para atrair novos membros para o movimento.
Foi designado ministro de várias mesquitas, incluindo a Mesquita Nº 7, em Harlem, Nova Iorque, e desempenhou um papel crucial na expansão da NOI durante a década de 1950.
A sua eloquência e visão tornaram-no uma figura central da organização, tornando-se, a certa altura, amplamente reconhecido como o principal porta-voz do movimento.
Em 1964, entra em rutura que Elijah Muhammad, particularmente devido a revelações sobre a sua conduta pessoal, que contradizia os ensinamentos da NOI, nomeadamente devido a relações extraconjugais.
Depois de abandonar a NOI, Malcom fundou a Muslim Mosque, Inc. e a Organização para a Unidade Afro-Americana (Organization of Afro-American Unity), para promover os direitos humanos e a solidariedade entre os povos negros.
A sua saída também marcou o início de uma transformação ideológica, que seria reforçada pela sua peregrinação a Meca no mesmo ano.
Essa viagem acabou por lhe trazer uma visão mais ampla de solidariedade e fraternidade entre raças, abandonando gradualmente a ideia da “separação da sociedade branca”.
Quando voltou dessa viagem, começou a receber ameaças de morte dirigidas a si e à sua família, a maioria vinda de membros da NOI, incitados pelo seu ainda líder, Elijah Muhammad.
Prevendo o que viria acontecer em breve, Malcom decidiu narrar a sua vida ao escritor Alex Haley, com intuito de fazer uma autobiografia.
Infelizmente, nunca teve oportunidade de ver esse livro tornar-se num sucesso mundial.
Foi assassinado a 21 de fevereiro de 1965, enquanto discursava no Audubon Ballroom, em Nova Iorque. Tinha 39 anos.
Três homens, ligados à NOI, foram condenados pelo crime.
Ainda hoje as circunstâncias do assassinato não são totalmente claras.
Apesar da morte precoce, ficou e ficará para a história como um símbolo de resistência e de empoderamento, tendo inspirado gerações de ativistas e líderes em todo o mundo.

Para mim, é inspirador ele ter sempre lutado por aquilo em que acreditava.
No entanto, de toda a sua história, a lição mais importante que retiro é o facto ter-se permitido a mudar quando as coisas deixaram de fazer sentido para ele, tanto na sua saída da NOI, como no abandono da ideia de separação entre raças.
Num mundo em que todos reclamam ser donos da verdade e da certeza, é interessante estarmos abertos à mudança, porque sem ela não evoluímos.
E tu? Qual é a lição que tiras desta história de vida?
Caso te tenha suscitado interesse e tenhas decidido ficar por casa hoje, podes ainda ver este documentário, que saiu à menos de 1 mês, sobre a última fase da vida de Malcom.
Por esta semana é tudo, voltamos na segunda-feira.
Um abraço,
Francisco

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