126# O Triângulo das Bermudas

Boa noite!

Ontem à noite, num jantar com amigos, acabámos a falar sobre o Triângulo das Bermudas.

Em primeiro, chegámos à engraçada conclusão de que nenhum de nós sabia onde se situava, apesar de já todos termos ouvido falar dele.

Depois, começámos a discutir porque era conhecido por ter tantos acidentes e desaparecimentos. Quando fomos ver as razões, não eram aquelas que pensávamos.

E foi por esta altura que, claro, me apercebi que era tema para aprender algo antes de dormir.

Então, antes de mais, o Triângulo das Bermudas é uma área do Atlântico delimitada pela Florida, Porto Rico e as ilhas Bermudas.

Ficou conhecida como “Triângulo do Diabo” devido ao número de navios e aviões que ali terão, alegadamente, desaparecido ao longo dos séculos. 

Embora não exista reconhecimento oficial de que seja mais perigoso do que outras zonas do oceano, a sua fama alimentou livros, filmes e teorias da conspiração.

A primeira referência a fenómenos estranhos na área vem de 1492, nos diários de bordo de Cristóvão Colombo. Ele registou que a bússola da sua nau apresentou leituras irregulares, viu luzes estranhas no horizonte, tendo até descrito uma bola de fogo a cair no mar. 

Estes relatos alimentaram, na altura, o receio dos marinheiros, que já viam naquela região, cheia de algas e correntes imprevisíveis, um lugar traiçoeiro.

O mito ganhou força no século XX, sobretudo após dois desaparecimentos marcantes. 

Em 1918, o USS Cyclops, um navio militar norte-americano com mais de 300 tripulantes, desapareceu sem deixar rasto depois de sair de Barbados. Nunca se encontraram destroços, e até hoje é a maior perda da Marinha dos EUA fora de combate. 

Em 1945, o famoso Voo 19 – um grupo de cinco aviões Avenger em treino – perdeu-se após o comandante se confundir sobre a sua posição. As comunicações revelam pilotos desorientados, combustível a esgotar-se e, por fim, silêncio absoluto. O avião enviado para os procurar também se despenhou.

Na década de 1960, o escritor Vincent Gaddis popularizou o termo “Triângulo das Bermudas” num artigo da revista Argosy. Poucos anos depois, Charles Berlitz publicou o The Bermuda Triangle (1974), um bestseller que vendeu milhões e espalhou a ideia de que havia algo sobrenatural na região. 

A partir daí, surgiram explicações que iam desde extraterrestres e portais interdimensionais até energias da mítica Atlântida.

Mas há explicações mais sólidas. 

A NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) aponta que a área é atravessada pela Corrente do Golfo, uma das mais rápidas do mundo, capaz de arrastar embarcações para longe em minutos. 

Além disso, é uma zona com atividade ciclónica intensa e palco de fenómenos violentos como trombas de água e ondas gigantes conhecidas como “rogue waves”, que podem atingir 30 metros e afundar até grandes navios.

Outro detalhe pouco conhecido é que a região coincide com a Fossa de Porto Rico, a mais profunda do Atlântico, com mais de 8.000 metros de profundidade. Qualquer embarcação que afunde nesse abismo dificilmente deixa vestígios, o que ajuda a perpetuar o mistério. 

Erros humanos também tiveram peso: o comandante do Voo 19, Charles Taylor, tinha um histórico de se perder em exercícios e, nesse dia, aparentemente, confundiu as Bahamas com as Florida Keys.

Apesar do fascínio, investigações independentes, como a do piloto Lawrence Kusche em 1975, concluíram que muitos dos casos foram exagerados ou mal relatados. 

Kusche analisou documentos da Marinha e descobriu que vários navios ditos “desaparecidos sem explicação” tinham, afinal, afundado em tempestades. A própria Guarda Costeira dos EUA reforça que não há mais acidentes no Triângulo do que noutras áreas igualmente movimentadas do Atlântico.

Mesmo assim, a ideia de uma “zona maldita” resiste. Até nos meus jantares de amigos!

Depois de fazer toda a pesquisa, parece-me que o mistério sobrevive derivado de uma mistura medo, ciência inacabada e uma boa dose de imaginação. Principalmente tendo em conta o número gigante de aviões e barcos que passam nesta zona diariamente incólumes.

O Triângulo das Bermudas é menos uma realidade geográfica e mais um espelho da nossa vontade de acreditar que ainda existem lugares no mundo capazes de nos desafiar com o inexplicável.

Deixo-vos ainda 2 vídeos, se quiserem explorar: um mais curto, que explica as razões prováveis dos desaparecimentos e mortes; e outro mais longo, da National Geographic, em jeito de documentário.

O autor desta newsletter completa hoje mais uma volta ao sol. Uma partilha desta newsletter seria uma prenda que o deixaria extremamente feliz 🙂

Por hoje é tudo.

Até quarta,

Francisco

Sua assinatura não pôde ser validada.
Obrigado! Certifica-te que recebes um email de boas-vindas nos próximos 5 minutos. Caso não o encontres, verifica também no spam. Se não tiver chegado, por favor contacta-me para fnascimento@aprendealgoantesdedormir.pt Para garantires que recebes todas as newsletters, podes marcar o email de boas-vindas como importante na tua caixa de correio. ~A partir de agora, todas as semanas vais aprender algo antes de dormir!

Torna-te naquela pessoa que tem sempre algo interessante para partilhar.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *