Boa noite!
Hoje quero partilhar convosco uma ideia que tive, mais pessoal e reflexiva do que factual.
Como já devem saber, sou uma pessoa extremamente curiosa. Grande parte dessa curiosidade vai para nós, seres humanos, e para aquilo que nos faz agir.
Um dia dei por mim a pensar em como tomamos decisões. A maioria acontece de forma automática – estudos apontam que cerca de 95% das nossas escolhas diárias são inconscientes. Sim, mesmo sem darmos por isso, até os sapatos que calçamos todas as manhãs são uma decisão que tomamos.
E é sobre isso que vos quero falar hoje. A ideia é simples: cada decisão que tomamos é a escolha de uma de várias histórias que contamos a nós próprios.
Tomar uma decisão pressupõe mais do que uma escolha. E, basicamente, o que nós fazemos é imaginar, através de histórias, a forma como essa decisão se vai desenrolar.
Peguemos no ideia dos sapatos. De manhã, quando escolhemos os sapatos que vamos usar para o resto do dia, podem existir várias razões pelas quais decidimos calçar um par de sapatos em detrimento de outro. Mas isso acontece porque nós contámos a nós próprios duas histórias diferentes.
Por exemplo: se tivermos uns sapatos pretos e outros cor-de-rosa florescentes, podemos optar pelos pretos porque imaginamos que os cor-de-rosa chamariam demasiado a atenção ou causariam desconforto. É a história que nos contamos que guia a escolha, mesmo que essa história não seja totalmente verdadeira.
O mesmo acontece em decisões mais importantes e complexas.
Quantos de nós já adiámos conversas por imaginar que seriam tensas? E, no fim, percebemos que nada disso se confirmou. A história que criámos não bateu certo com a realidade.
Mais uma vez: isto aconteceu porque contámos uma história a nós próprios sobre como esta conversa iria correr. Neste caso, a história não bateu certo com a realidade.
Isto leva-me ao ponto seguinte: a qualidade e acerto das nossas decisões serão tão melhores quanto mais acertadas forem as histórias que contamos a nós próprios.
É evidente que todas essas histórias que imaginamos são baseadas em vários fatores, como as nossas experiências passadas, os nossos genes e até o tipo de ambiente em que estamos inseridos no momento, o que cria vieses, que vão influenciar e muitas vezes determinar a diferença entre a história e a realidade.
Então, como podemos então contar histórias que vão mais de encontro com aquilo que será a realidade?
Esta é a pergunta para um milhão de euros, para a qual eu, assumo já, não tenho a resposta. No entanto, existem alguns truques que tento utilizar e que partilho convosco:
- Testar -> em decisões em que é possível testar as várias alternativas, então é isso que faço sempre. Por exemplo, imagina que estás a pensar emigrar. Nada como ir passar uns dias ao sítio antes de tomares a decisão.
- Tentar reconhecer os vieses -> esta implica conhecer os vieses que existem (dois livros interessantes sobre isto: aqui e aqui), mas conseguir fazê-lo faz uma diferença brutal. Imagina que estás a pensar comprar uma casa, mas tens medo que desvalorize. Reconhecer o viés de aversão à perda pode ser importante para tomar uma decisão mais equilibrada.
- Procurar opiniões de pessoas com experiência -> Se estás a pensar comprar um carro de uma certa marca, fala com pessoas que tenham um carro dessa mesma marca e pede-lhes feedback.
- Criar filtros ou checklists -> cria uma lista à qual uma decisão precise de corresponder, com base nos teus objetivos, tendo em conta os fatores mais prioritários.
No meu caso, quando escolho o tema desta newsletter, faço sempre três perguntas:
- Tenho interesse e disponibilidade em aprender sobre o tema?
- O tema está alinhado com o que trouxe os leitores até aqui?
- Há dados e informação de qualidade para escrever?
Se a resposta não for ‘Sim’ para as 3 perguntas, então excluo o tema.
É óbvio que mesmo as respostas às últimas 2 perguntas tem alguma subjetividade, mas é um excelente começo. Criar um sistema destes faz com que as minhas decisões sejam mais ponderadas e baseadas na realidade objetiva do que nas histórias que conto a mim próprio.
Para terminar, respondendo à questão que deu título a esta newsletter, a razão pelo qual tomamos más decisões é, essencialmente, por deixarmos as nossas perceções infundadas criarem histórias que não vão de encontro aos factos, à realidade objetiva.
Espero que este texto vos ajude a fugir desse erro 😉
E tu, já tinhas pensado nas tuas decisões desta forma?
Deixo-vos ainda, como habitualmente, dois vídeos sobre o tema da tomada da decisão sobre os quais não discorri tanto ao longo da newsletter:
- Este, ilustrado, sobre como outros fatores básicos, como a hora do dia, afetam as nossas decisões;
- E este, que apresenta outras técnicas interessantes para uma tomada de decisão mais ponderada.
Fazendo a ponte com a tomada de decisão, mais do que donativos, se achas que esta newsletter te acrescenta algo, partilha-a com amigos. Essa é a decisão mais importante que podes tomar para ajudares a fazer este projeto crescer.
Por hoje é tudo.
Até quarta,
Francisco

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