112# O ouro do século XXI e como não vivíamos sem ele

Boa noite!

Hoje o tema da newsletter é inspirado num livro que comecei a ler este fim de semana e que estou a devorar:

Pois é, ao que parece o petróleo do século XXI não são os dados, como tantas vezes se ouve dizer, mas sim o chips!

Eu pessoalmente, nunca tinha pensado a fundo sobre o tema, mas, de facto, apercebi-me como o chips (ou a ausência deles) podem criar um bloqueio autêntico na evolução tecnológica mundial.

Mas já lá vamos. Comecemos então por ver o que são realmente estes pedaços minúsculos de silício e como e quando foram originalmente criados…

Os chips, também chamados de semicondutores, são pequenos dispositivos eletrónicos que funcionam como o “cérebro” de quase todas as tecnologias modernas. São responsáveis por processar e armazenar informação, controlando tudo, desde computadores e telemóveis até automóveis e eletrodomésticos.

A história dos chips começa no final da década de 1940 com a invenção do transistor, no Bell Labs, nos EUA. Mas só em 1958 é criado o primeiro circuito integrado funcional por Jack Kilby, da Texas Instruments. Foi o início da revolução digital.

Um chip é, na sua essência, um pedaço minúsculo de silício que contém milhões — hoje, até milhares de milhões — de transístores interligados. Esses transístores funcionam como interruptores, permitindo ou bloqueando o fluxo de corrente elétrica para executar instruções lógicas.

A evolução tem sido vertiginosa. A chamada Lei de Moore, proposta em 1965 pelo que viria a ser um dos fundadores da Intel, Gordon Moore, previa que o número de transístores num chip duplicaria a cada dois anos. Esta previsão manteve-se praticamente válida durante décadas, tornando os chips cada vez mais rápidos, pequenos e baratos.

O fabrico de chips é um dos processos industriais mais complexos do mundo. Requer fábricas chamadas fabs, que custam milhares de milhões de euros e operam em ambientes com níveis de limpeza superiores aos de salas cirúrgicas. A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (mais conhecida por TSMC), em Taiwan, é hoje a líder mundial na produção de chips avançados, com mais de um terço da produção mundial.

O silício, matéria-prima base, é extraído de areia de quartzo e purificado até atingir 99,9999999% de pureza. Depois é cortado em bolachas (wafers), onde os circuitos são desenhados em camadas microscópicas através de processos de litografia, dopagem, deposição e gravação.

As cadeias logísticas dos chips envolvem dezenas de países. Os EUA dominam o design (com empresas como NVIDIA, Intel, AMD), a Europa produz máquinas essenciais (como as da holandesa ASML) e a Ásia lidera a produção em escala, sobretudo Taiwan, Coreia do Sul e China.

A Covid revelou a fragilidade desta cadeia global, se bem se lembram. A escassez de chips paralisou fábricas automóveis, encareceu produtos eletrónicos e mostrou o quão dependente é a economia global destes componentes invisíveis mas indispensáveis.

Hoje, os chips estão por todo o lado. Num smartphone podem existir mais de 20 chips diferentes. Num carro moderno, até 150. Até uma escova de dentes elétrica ou um micro-ondas pode conter um microchip.

São eles que tornam possível a inteligência artificial, os videojogos, os satélites, as redes 5G, os sensores de veículos autónomos e os equipamentos médicos mais avançados. Praticamente não há inovação tecnológica sem chips.

A miniaturização chegou a tal ponto que os chips mais avançados atuais têm transístores com 3 nanómetros — mais pequenos que um vírus. Esta densidade permite ganhos enormes de potência e eficiência energética, essenciais para a computação moderna.

Curiosamente, a construção de chips avançados é hoje uma questão de geopolítica. EUA, China e Europa investem milhares de milhões para garantir acesso e controlo sobre a produção, com receio de dependência externa ou de bloqueios estratégicos.

Algumas tecnologias, como os chips neuromórficos ou os quânticos, estão já a ser exploradas para ultrapassar os limites da computação atual. Mas mesmo os chips clássicos continuam a evoluir, com técnicas de empilhamento tridimensional e novos materiais como o grafeno.

Apesar do seu tamanho microscópico, os chips estão no centro da vida moderna. Sem eles, não haveria internet, energia inteligente, telemedicina, agricultura de precisão, automação industrial, nem sequer pagamentos digitais ou serviços bancários online.

Por isso, entender os chips é compreender o motor invisível que sustenta o nosso mundo digital. Por detrás de cada toque num ecrã ou comando por voz, está um chip a trabalhar em silêncio, mas com um impacto colossal.

Como já é meu adágio, deixo-vos 2 vídeos interessantíssimos sobre o tema: um mostra como são feitos e o outro foca-se nos chips usados para alimentar a IA.

Por hoje é tudo.

Até quarta,

Francisco

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